Seguro 'muito preocupado' com situação social do país

O secretário-geral do PS, António José Seguro, admitiu hoje estar «muito preocupado» com a actual situação social do país, defendendo a importância das políticas sociais e do apoio para a criação de uma rede de protecção.
«Saio naturalmente muito preocupado mas também já estava quando entrei. Conheço a situação do nosso país e sei que há famílias que vivem para lá dos seus limites [e] já não têm mais furos no cinto para apertar», afirmou o líder socialista, à saída de um encontro com o bispo do Porto, D. Manuel Clemente.
António José Seguro considerou «muito importante» tais encontros que «enriquecem» a sua própria leitura da situação social do país, numa altura em que existem «níveis de desemprego elevadíssimos e em que o apoio social e as políticas sociais são muito importantes» na criação de «uma rede de protecção social a pessoas que vivem em situações muito difíceis».
O líder do PS recordou mesmo os «muitos portugueses que fazem das tripas coração e estão a fazer um esforço muito grande, designadamente em instituições de solidariedade social como a Cáritas ou Banco Alimentar, para darem o melhor da sua solidariedade para ajudarem, ao seu nível, a criar alguma protecção a famílias com maiores dificuldades».
«Os portugueses são um povo magnífico que em momentos de grande dificuldade sabe expressar a sua solidariedade», sublinhou.
Questionado pelos jornalistas sobre a Cimeira Ibérica, que hoje decorreu no Porto, Seguro escusou-se a comentar por ainda não conhecer as conclusões do encontro, lembrando apenas a «grande expectativa» dos socialistas.
«Não posso comentar porque não tive tempo de conhecer as conclusões da cimeira», salientou, lembrando a «expectativa grande» do partido em relação ao encontro, nomeadamente que «pudessem vir a ser adoptadas políticas do mercado ibérico da energia, designadamente na área do gás, e que a dupla taxação que existe à saída e à entrada de Portugal pudesse acabar».
Um dos temas que marcou a cimeira de hoje foi precisamente o acordo ao nível energético de eliminar a dupla tarifação do transporte do gás natural a partir de 2013.
O socialista escusou-se também a comentar as declarações de Mário Soares, que na terça-feira defendeu que o PS deveria romper acordo com 'troika', e aproveitou para lançar críticas à actuação do PSD.
«O primeiro-ministro é o rosto da austeridade excessiva em Portugal [e] eu sou o rosto de quem quer conciliar níveis de austeridade inteligente, na dose adequada, que permita uma boa consolidação das contas públicas, mas que se coloque como prioridade o emprego e o crescimento económico», referiu.

Lusa/SOL