Robots desenvolvidos por portugueses podem ser uma ajuda na aquacultura em alto mar, no controlo da alimentação e saúde dos peixes ou na avaliação dos recursos, poupando os profissionais e sem efeitos nefastos na natureza, afirmou hoje um especialista.

Com o declínio de stocks de pesca em Portugal, como em outros pontos do mundo, os países necessitam de aumentar a produção de pescado em aquacultura.

«É importante o aumento da tecnologia para melhorar a qualidade do pescado, subir a rentabilidade e reduzir o impacto ambiental» desta actividade, defendeu hoje Eduardo Silva, um dos coordenadores do grupo de Robótica e Sistemas Inteligentes do INESC TEC.

«É necessário um sistema de produção que não tenha acolhimento dos humanos e permita uma produção com rentabilidade. A monitorização e controlo tem de ser bastante grande e a forma como o humano realiza estas actividades não é muito precisa nem exacta», explicou.

O professor do Instituto Superior de Engenharia do Porto, disse à agência Lusa que os sistemas computacionais, de sensores e robots, têm a exactidão e precisão exigida para este tipo de produção também «para que o impacto negativo na natureza seja o menor possível, equilibrado e sustentável» nas suas várias vertentes.

A aquacultura é uma das áreas em que os robots podem dar uma ajuda, através de tecnologia já desenvolvida para a busca e salvamento em alto mar ou para a monitorização ambiental.

«Os sensores que o INESC TEC desenvolveu para o ambiente, para a detecção de compostos químicos, por exemplo, podem ser ser usados na aquacultura», tanto pelas instituições de investigação, como pelos próprios produtores, especificou Eduardo Silva.

Os robots podem realizar o seu trabalho sejam quais forem as condições do mar ou o tempo de permanência na água e «podem fazer operações remotas que os humanos não fazem».

Reparar rede, medir a saúde e alimentar a colónia dos peixes, avaliar a poluição, medir o impacto do crescimento da população e antecipar problemas são algumas das tarefas listadas.

Os investigadores já desenvolveram experiências que «validam» a capacidade dos robots nesta actividade, agora necessitam de parceiros do sector para especificarem que tipo de ajuda pode ser mais útil.

O INESC TEC aproveita a realização do Fórum do Mar, na Exponor, em Leça da Palmeira, de quinta-feira a sábado, para assinar dois protocolos com vista a desenvolver novas tecnologias em aquacultura, uma cerimónia que conta com a presença do presidente da associação portuguesa de produtores de aquicultura.

As actividades a desenvolver no âmbito destes protocolos arrancam em junho e as primeiras tecnologias conjuntas devem estar concluídas em 2013.

Pretende-se unir competências e sinergias complementares para reforçar a capacidade nacional de produzir e de exportar novas tecnologias robóticas marinhas, áreas que suscitam cada vez mais interesse por parte dos investidores estrangeiros», salienta uma informação do INESC TEC.

Esta entidade também participa num projecto europeu, já a decorrer, na área da busca e salvamento em ambiente marítimo, no caso de acidentes de larga escala, através do uso de robots marítimos e aéreos.

Fonte: SOL