Mais de mil crianças contaminadas com chumbo não têm tratamento

Mil e quinhentas crianças contaminadas com chumbo continuam sem cuidados médicos, dois anos depois de ter rebentado o escândalo no nordeste da Nigéria, denunciou na quinta-feira uma organização médica não-governamental.
Segundo a Médicos Sem Fronteiras, o tratamento efectivo dos menores envenenados com chumbo, que correm o risco de sofrer lesões cerebrais graves ou mesmo morrer, torna-se impossível enquanto continuarem a viver em casas contaminadas.
O caso passa-se na aldeia de Bajega, no Estado de Zamfara, onde se faz a extracção ilegal de ouro em minas artesanais.
O metal em bruto trazido para casa pelos pais das crianças contém elevados níveis de chumbo e é, muitas vezes, deixado em cima de esteiras, onde a família dorme. São as mães que, habitualmente, partem as rochas e trituram os pedaços, espalhando pó e lascas.
Ao todo, foram expostas ao chumbo 4000 crianças, das quais 2500 estão a ser tratadas, uma vez que as suas aldeias foram descontaminadas, afirmou o líder do grupo de missão da Médico Sem Fronteiras na Nigéria, Ivan Gayton, citado pela agência AFP.
Anualmente, a organização gasta cinco milhões de dólares (3,8 milhões de euros) no tratamento de pessoas envenenadas com chumbo. Desde 2010 morreram mais de 400 crianças que trabalhavam nas minas artesanais de ouro ou viviam nos seus arredores.
Na Nigéria, a exploração mineira ilegal de ouro é mais lucrativa do que a agricultura para as comunidades mais pobres.
Em Janeiro do ano passado, um relatório concluiu que algumas aldeias já descontaminadas, por peritos estrangeiros, revelavam, outra vez, vestígios de chumbo e mercúrio, porque os seus habitantes retomaram a exploração mineira sem as devidas precauções.

Lusa/SOL