Cerca de 800 indignados marcharam em Lisboa

Palavras contra o FMI, o desemprego e o Governo foram gritadas pelos cerca de 800 activistas que hoje se juntaram em Lisboa na marcha de protesto Primavera Global, desde a avenida da Liberdade até ao Parque Eduardo VII.
A marcha de protesto, que começou no Rossio com cerca de 300 pessoas, foi, ao longo da Avenida da liberdade integrando mais apoiantes, totalizando cerca de 800 que chegaram ao parque, onde ainda decorre a Feira do Livro, cerca das 17h00.
A maioria dos manifestantes eram jovens que empunhavam cartazes e gritavam palavras de ordem como «Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal a nossa luta é internacional» ou «Passos sai daqui e leva o FMI».
«Sê a mudança que queres ver no mundo», «A lutar vencemos, a precariedade não é solução» e «A Passos do abismo», eram alguns dos 'slogans' colocados em cartazes que desfilam pela Avenida da Liberdade e lançaram o mote do protesto contra a precariedade e as medidas de austeridade aplicadas pelos diversos governos, um pouco por todo o mundo.
A marcha, que demorou cerca de duas horas, decorreu de forma pacífica, e os agentes da PSP apenas tiveram de ser preocupar com o trânsito.
A partir de agora, e até ao dia 15, vários elementos do movimento têm previsto permanecer no parque Eduardo VII onde pretendem realizar vários debates e discussões sobre saúde, desemprego e segurança social, entre outros temas da actualidade.
«Estamos convencidos que este é um protesto à escala global que poderá trazer novamente para a rua a democracia. Por isso, durante quatro dias, congregamo-nos no parque Eduardo VII e vamos organizar mais de 50 iniciativas com o objectivo de abrir à sociedade temas como a crise da dívida soberana, o Serviço Nacional de Saúde, os transportes, a água e também o desemprego», disse à Lusa Paulo Raposo, activista e organizador do Primavera Global».
A iniciativa, organizada pelo movimento de indignados «Primavera Global», realiza-se hoje em mais de 250 cidades de todo o mundo, incluindo sete portuguesas, em protesto contra a crise e as medidas de austeridade.
«Revoltada e indignada» contra a actual política de austeridade. Foi assim que a activista Ana Gonçalves se apresentou ao falar à Lusa durante o protesto. Apesar de não estar desempregada nem numa situação precária, mostrou-se convicta de que este protesto «pode ter muita força, pois trata-se de uma luta internacional».
«A agressão é global, a crise é global e a austeridade é também global», disse, acrescentando que a sua presença nesta marcha se justifica, «quer pelo seu futuro, quer pelo futuro dos filhos».
A Primavera Global é composto por cidadãos, activistas e movimentos sociais que dizem querer encontrar soluções e construir novos modelos de organização mais sustentáveis e democráticos.
O movimento Precários Inflexíveis também se uniu a esta iniciativa que, considerou Hugo Evangelista, «trata-se de um chamamento global».
«Em Portugal temos um Governo que diz que temos de empobrecer. Ontem (sexta-feira) o primeiro-ministro, Passos Coelho, veio dizer que o desemprego é uma solução. Isso mostra que Passos Coelho e este Governo têm uma forma de ver a realidade completamente desfasada», lamentou o activista.
Em Portugal, onde a manifestação de 12 de Março de 2011 da geração à rasca inspirou as concentrações em Espanha no mesmo ano, os desfiles, debates e assembleias populares vão realizar-se em Braga, Porto, Coimbra, Santarém, Lisboa, Évora e Faro.

Lusa/SOL