Polícia russa desmantela acampamento da oposição

A polícia desalojou esta madrugada um acampamento de contestatários do regime na alameda moscovita de Tshistie Prudi, no centro de Moscovo, e deteve cerca de vinte manifestantes que alegadamente teriam resistido a abandonar a zona.
Na segunda-feira, os participantes do acampamento foram avisados de que deveriam abandonar o local antes do meio-dia de hoje, depois de um tribunal de Moscovo ordenar o seu desmantelamento.
A decisão do tribunal foi tomada com base numa queixa de 12 habitantes do bairro Tshistie Prudi, que exigiram que as autoridades «restabelecessem a ordem na zona».
Segundo testemunham as agências russas, por volta das 05.00 horas de Moscovo (02.00 horas em Lisboa), uma unidade da polícia de choque «OMON» exigiu que os militantes da oposição abandonassem o local.
Porém, alguns não o fizeram de forma voluntária e foram detidos. O Ministério do Interior informou que 20 detidos foram conduzidos para esquadras próximas da polícia.
Segundo os dirigentes da oposição, a instalação de tendas no centro de Moscovo é uma forma de mostrar ao poder que os cidadãos russos têm liberdade de organizar «passeios» no seu país.
A oposição baseia-se no artigo 31 da Constituição da Rússia, que prevê a liberdade de expressão e manifestação, sem que seja necessário pedir autorização ao poder para a realização de comícios ou de outras iniciativas de protesto.
Ília Ponomariov, deputado do Parlamento russo e um dos dirigentes da oposição, declarou que as tendas irão ser montadas noutra zona de Moscovo e que, se a polícia o desmantelar, continuarão as acções de protesto noutros lugares.
«Se nos expulsarem do bairro 'Barrikadnaia', iremos passear pela cidade, em várias alamedas», declarou o deputado à agência Ria-Novosti.
«Ninguém pode proibir os cidadãos de se sentarem em bancos, cantarem, conversarem sobre a vida. Por conseguinte, iremos continuar a fazer isso», frisou.
Esta onda de protestos começou a 5 de Dezembro do ano passado, quando a oposição considerou terem existido sérias fraudes eleitorais nas eleições legislativas, e ganharam nova força, depois da reeleição de Vladimir Putin para o cargo de Presidente, a 04 de Março.

Lusa/SOL