Cantor dos EUA e Brian Adams aquecem lado mais romântico do festival

Rock in Rio Lisboa rendido a Stevie Wonder

Durante duas horas, Stevie Wonder deu uma lição musical inesquecível. The Gift, Joss Stone e Brian Adams completaram cartaz.





Deixou apelos à paz e ao amor, cantou Bob Marley, trauteou The Doors, passou pelo Brasil, pelo reggae, salsa, gospel e funk, cantou para a filha e para 73 mil pessoas. Stevie Wonder passou pelo festival Rock in Rio Lisboa para uma lição de música que durou cerca de duas horas.
Stevie Wonder foi o maestro de uma noite de revisitação de carreira, em particular a da década de 1970, que conseguiu com a agilidade e a genialidade de poucos tocar vários géneros musicais. Trocando as voltas ao alinhamento inicial, Stevie Wonder conseguiu pôr o público a cantar e a dançar muito mais do que o clássico inevitável «I just called to say I love you», com «Overjoyed», «Signed Sealed», «Part time lover», «The way you make me feel» (de Michael Jackson) e, quase a fechar, «Superstition».
De pé ou ao piano, Stevie Wonder pediu muitas vezes a participação de quem tinha à sua frente, com palmas ou com a voz, para poder sentir quem estava ali. Chamando a filha Aisha Morris, uma das vocalistas do coro, Stevie Wonder cantou «Isn t she lovely», composta para ela, e com o tema «Sir Duke» provou que a música é uma linguagem que todos podem entender.
Quando caíram uns tímidos pingos de chuva, Stevie Wonder foi buscar «Raindrops keep fallin on my head», de Burt Bacharach. Para dizer 'olá', ao público lembrou-se de «Hello, I Love», dos The Doors, e ainda passou pela Jamaica, recordando Bob Marley com «Waiting in vain».
Não estando no Brasil, mas em Lisboa, Stevie Wonder interpretou ainda 'Garota de Ipanema', na harmónica e colocou os espetadores a cantarem 'Você abusou', tal como tinha feito no ano passado no Rock in Rio, no Rio de Janeiro.
Numa oportunidade rara para ver uma das maiores figuras da música norte-americana - que já não pisava solo português há vinte anos - os portugueses ficaram ainda com uma recordação: 'Obrigada por me apoiarem, por ouvirem as minhas canções. Quando forem para casa lembrem-se que vos amo', cantou Stevie Wonder de improviso.

Brian Adams e a surpresa Vanessa

Antes de Stevie Wonder, o concerto do músico canadiano Bryan Adams reuniu todos os ingredientes de sucesso: multidão, os maiores êxitos, palmas, braços do ar e uma voz feminina que sobressaiu entre a audiência, Vanessa Silva.
'Quero fazer uma coisa maluca. Pode correr bem, mas também pode ser um desastre', disse Bryan Adams no sábado, quando o concerto já ia a meio, depois de ter tocado «Somebody», «I m ready» e «Summer of 69». Perante mais de 69 mil pessoas, o músico escolheu uma pessoa do público - aparentemente de forma aleatória - para interpretar em palco o tema «When your gone». Bryan Adams, que habitualmente faz um convite destes à audiência durante os concertos, ficou impressionado com a prestação vocal da cantora naquele tema, mas a verdade é que Vanessa Silva é uma cantora já com currículo.
O músico de 52 anos tocou cerca de duas horas: um concerto irrepreensível, sem mácula, interpretando as canções de uma longa carreira como se as tivesse gravado ontem, não esquecendo algumas palavras em português, que fazem sempre o delírio do público.

The Gift a abrir dia especial

Sábado, no palco Mundo, a abertura coube aos portugueses The Gift, que escolheram a imagem colorida das canções recentes do álbum «Explode» para recuperar temas antigos e de fácil acesso ao público, como «Ok do you want something simple», e os recentes «RGB» e «The Singles».
Logo a seguir, Joss Stone protagonizou os primeiros momentos soul do cair da noite, com uma eficiente banda que a acompanhou em temas como «Fell in love with a boy». Fechou com possivelmente o maior êxito, «Right to be wrong».

Stevie Wonder. Durante duas horas, cantor revisitou carreira cheia de êxitos e partilhou com o público a sua genialidade

DR






Fonte: o primeiro de janeiro