Primavera Sound do Porto tirou espectadores ao Barcelona

A primeira edição do Optimus Primavera Sound do Porto já fez com que «pelo menos quatro ou cinco mil pessoas deixassem de ir a Barcelona», afirmou Alberto Guijarro, um dos directores do festival catalão, que escolheu Portugal para se internacionalizar.
Ao fim de 12 anos de edições do Primavera Sound na Catalunha, os responsáveis do festival de música alternativa escolheram o Porto em detrimento de cidades como Roma ou Viena para, pela primeira vez, a partir do dia 7 de Junho, viajar para fora de Espanha porque, segundo Alberto Guijarro afirmou à Lusa, «era uma cidade com muitos pontos em comum com Barcelona e, de alguma forma, complementar».
«Quando vens, não vives só o festival, mas também vives a cidade. Ora, o tipo de recinto entre os dois festivais é diferente, no Porto é verde, árvores, lago, enquanto aqui é mais cimento, mais duro, e as cidades são diferentes, o carisma do Porto é diferente do de Barcelona».
Por isso, considera ser natural que até cinco mil pessoas tenham deixado de ir a Barcelona, que terá registado cerca de 40 mil entradas diárias, para rumar a «uma nova experiência» no Optimus Primavera Sound.
Mas esta escolha foi também uma escolha em que passaram «os muitos pontos em comum». Os responsáveis do Primavera sentiram-se «identificados com o Porto, uma cidade portuária como Barcelona, segunda cidade do país, uma actividade cultural muito alta» lembrou Alberto Guijarro, que afirmou que na decisão também foi importante «o recinto que é muito belo» e, como em Barcelona, «muito próximo do mar».
José Barreiro, da Ritmos, a promotora portuguesa do festival, acha que a decisão dos parceiros de Barcelona foi «mais com o coração do que com a cabeça». Desde há alguns anos que os organizadores de Paredes de Coura e do Primavera são amigos e visitam os respectivos festivais, partilhando o «gosto pela boa música» e pela comida.
«Eles adoram o peixe de Matosinhos, o arroz de cabidela, as tripas à moda do Porto e há uma grande empatia entre nós», confessou José Barreiro, que se foi apercebendo da necessidade dos catalães expandirem um festival que começava a ficar sobrecarregado de público.
A Ritmos acabou por encontrar parceiros na Câmara do Porto e numa operadora telefónica e um recinto no Parque da Cidade. Sem vontade de fazer o festival em outro local de Espanha e apesar de existirem propostas financeiramente mais vantajosas, a proposta do Porto para segunda cidade do Primavera Sound acabou por ser a escolha «natural», segundo José Barreiro.
Para Alberto Guijarro, os dois festivais beneficiam igualmente das ligações aéreas de baixo custo que «ajudaram muito a ter este turismo cultural e permitiu ter festivais fora dos circuitos centro europeus e de Inglaterra».

Fonte: Lusa/SOL