Segurança: Idosos temem andar nas ruas da cidade após o cair da noite .



João Silva, 76 anos, recorda ainda com clareza o rosto dos dois ladrões que há meses o tentaram assaltar numa rua do Seixal. "Ainda me tentaram agredir. Depois puseram-me a mão no peito para me arrancar o fio, mas quando eu gritei eles fugiram". Foi remédio santo. João nunca mais usou peças de ouro e, assim que pôde, desfez-se da jóia. "Vendia-a logo. Já não ando com nada disso".

Mas a sorte deste antigo pintor da construção civil não foi igual à de 71 pessoas que, no primeiro semestre deste ano, foram vítimas de roubo por esticão. Este crime regista um decréscimo, mas continua a ser uma preocupação para os agentes que todos os dias patrulham as ruas do Seixal – esta cidade da Margem Sul ainda é uma das que registam mais roubos por esticão. Em número mais preocupante continuam os furtos em veículos e em residências – este ano registou-se uma vaga de assaltos a casas por um grupo que atacava com uma chave-mestra. Apesar de a criminalidade ter diminuído, só os furtos e roubos a estabelecimentos já totalizam os 68 este ano.

Ainda não chegou a hora de almoço e os cafés e lojas da zona ribeirinha já estão cheios. Gente idosa ou desempregada que pouca ou nenhuma esperança tem no futuro. "Qualquer dia não podemos sair de casa. Eles assaltam mesmo à frente da PSP", desabafam. A pequena mercearia de Joaquim Henriques, 84 anos, está a cerca de cem metros da esquadra da PSP, mas isso não travou os ladrões. "Já fui assaltado duas vezes e numa delas destruíram a loja toda". Joaquim, como tantos idosos, vive apavorado. Fecha a loja às 20h00 e vai directo a casa. "Já tenho medo de andar à noite."

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