Centenas de pessoas sairiam hoje de manhã de Campanhã, no Porto, em oito autocarros rumo a Lisboa, para participarem na manifestação em Lisboa, convocada pela CGTP, mostrando «insatisfação» e até «perplexidade» com mais políticas de austeridade do Governo.Em cerca de meia hora os oito autocarros parados em Campanhã ficaram cheios, acabando por partir para a capital às 8h45.
Dinis Ribeiro, professor universitário, já estava desde as 8 horas junto à porta da Casa Sindical para participar pela primeira vez numa manifestação nacional convocada pela CGTP.
«Isto tem que mudar e estou com imensa vontade de contribuir para esta mudança. Eu não estava nada à espera de ter que me envolver nestas coisas, eu quero dedicar-me às minhas coisas, mas estou a ver que assim não dá. Temos que nos unir e temos que estar com atenção ao que se está a passar, temos que mudar as coisas, não há outra solução», afirmou aos jornalistas.
Este professor afirmou mesmo estar «estupefacto, perplexo» e «escandalizado com o que se está a passar» e disse ter tomado a iniciativa pelos pais, «que nunca trabalharam para o Estado e agora estão a sofrer» com cortes nas pensões e nos subsídios.
De acordo com o coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP), João Torres, «esta é a maior» participação do distrito do Porto numa manifestação nacional, convocada para a capital.
«Estamos satisfeitos, isto é um sinal de que, toda a gente de apercebe, há muita insatisfação nos portugueses, estão com falta de ar, estão-lhes a apertar o pescoço de todas as formas e feitios e ainda há quem diga que têm que continuar a respirar», sublinhou Torres.
Para João Torres, «as pessoas sentem que estão incapacitadas de continuar a viver nestas condições e têm que por cá fora a revolta e a sua determinação de acabar com este estado das coisas».
No total, disse, do distrito do Porto partiram esta manhã para Lisboa «6.150 pessoas» distribuídas por «123 autocarros».
«Sabemos que há também cerca de 300 pessoas que fizeram a chamada ‘vaquinha’ para irem por meios próprios», concluiu.
Alcina Alves, acompanhada de uma amiga, decidiu aderir ao protesto pelas gerações futuras, afirmando que «está tudo muito mau, estas políticas não interessam a ninguém», sendo «preciso olhar por um futuro melhor para os nossos filhos».
Alcina sofre com o facto de o filho ter emigrado para os Estados Unidos, mas compreende que «ele agora fique por lá», porque em Portugal «emprego é uma incerteza».
Fernando Martins, de 68 anos, que escreveu no seu cartaz “Ladrões”, afirmou aos jornalistas que, actualmente, só pede para que o deixem «viver sossegado o resto da vida, depois de ter feito descontos durante 45 anos».
De todas as idades, desde crianças a idosos, as pessoas ali concentradas levaram consigo para Lisboa cartazes de indignação debaixo dos braços e «muita vontade de continuar a lutar» por Portugal.

Fonte: Lusa/SOL