O presidente da entidade reguladora da água defendeu, este domingo, que os portugueses podem beber água da torneira "com confiança" porque os parâmetros de qualidade atingem os 98%, apesar de 30 a 40 concelhos apresentarem níveis abaixo do desejável.
"Em 2011, todos os sistemas e abastecimento de água tinham planos de controlo de qualidade e, das cerca de 700 mil análises efetuadas, 98% cumpriam os parâmetros definidos", garantiu Jaime Melo Baptista.
A Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Qualidade (ERSAR) divulga o relatório anual "Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano" na segunda-feira, quando se assinala o Dia Nacional da Água.
Melo Baptista salientou, à Lusa, que "a melhoria da qualidade da água no abastecimento público é um dos aspetos de maior sucesso no setor em Portugal".
Quanto aos 2% de incumprimento, "não indicam necessariamente que a água não é adequada para o consumo", pois podem estar relacionados com parâmetros que não afetam a saúde pública.
"A grande maioria dos concelhos cumpre os parâmetros, são entre 30 e 40 aqueles que apresentam mais incumprimentos do que o desejável", revelou o responsável.
Continua a ser no interior do país, "com maiores carências de recursos humanos, técnicos e financeiros, que se concentram os incumprimentos ocorridos, essencialmente nas pequenas zonas de abastecimento, que servem menos de 5.000 habitantes", explicou.
E, apesar do resultado do indicador global da qualidade da água apontar os 98%, "os operadores têm de continuar atentos e alguns têm de melhorar este serviço", alertou.
A ERSAR explica que "os parâmetros que evidenciam maior percentagem de incumprimento dos valores são as bactérias coliformes e os enterococos, por ineficiência da desinfeção, o pH, o ferro, o manganês, o alumínio e o arsénio, devido às características hidrogeológicas das origens de água, bem como o níquel, cuja causa é atribuída aos materiais das redes prediais".
Devido à "evolução positiva" registada, é destacado o parâmetro da bactéria Escherichia coli, com "uma melhoria significativa e uma percentagem de cumprimento do valor paramétrico superior à média nacional".
Melo Baptista recordou que qualquer incumprimento "é comunicado em 24 horas à entidade reguladora e à Direção Geral de Saúde", que analisa a situação e decide sobre a necessidade de tomar medidas que podem, em casos mais graves, ir até à interrupção do abastecimento.
No ano passado, verificou-se um caso de incumprimento deste tipo, em Évora, mas que foi detetado ainda no sistema "em alta", ou seja, entre a captação e o reservatório ou o município, antes da distribuição aos consumidores finais e "nem chegou à cidade", exemplificou o presidente da ERSAR.
A entidade reguladora, que agora abrange todos os operadores, públicos e privados, alterou a sua estratégia de fiscalização e reduziu o número de ações, que eram 150 a 200 anuais, para tornar os controlos "mais intensos".
Quanto à desinfeção da água, o presidente da ERSAR referiu que pouco mais de metade dos valores (55%) estão dentro dos limites recomendados (e não impostos) pela entidade.
O cloro acima dos valores recomendados desagrada aos consumidores, devido ao sabor, mas "não implica problemas de saúde pública", explica a ERSAR.
No entanto, considera que "há ainda um número apreciável de entidades gestoras que têm de continuar a melhorar o controlo operacional do processo da desinfeção, de modo a assegurarem concentrações adequadas de desinfetante residual na água".

Fonte: Jornal de Notícias