O social-democrata António Capucho afirmou hoje que António Borges, que acusou os empresários que criticaram a redução da TSU de serem “ignorantes”, está a “perturbar a estabilidade” do Governo, dizendo "disparates".
“Quem está a perturbar a estabilidade nem sou eu, que faço de facto declarações criticas em relação ao Governo, é o Dr. António Borges, com a sua presença continuada no Governo e a dizer estes disparates”, afirmou, em declarações à Lusa, António Capucho.
No sábado no I Fórum Empresarial do Algarve, o economista e conselheiro do Governo para as privatizações considerou “muito inteligente” a medida do Governo sobre a Taxa Social Única (TSU) e chamou “ignorantes” aos empresários que discordaram dela.
Segundo o ex-autarca da Câmara de Cascais, que reafirmou defender uma remodelação do Governo, também o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, bem como “uma estrutura [governativa] que não responde” perturbam a estabilidade.
Na sua opinião, a estabilidade poderá ser alcançada através de uma “remodelação do Governo concomitante com a apresentação do Orçamento do Estado, que seja digerível, aceitável para o destinatário, que somos todos nós”.
Questionado pela Lusa se o próprio partido necessita regenerar-se, Capucho disse que, atualmente, “o PSD é uma massa amorfa” e precisa de se “concentrar nisso”.
“E tem à frente desse trabalho alguém que eu considero imenso dentro do PSD, pela sua honradez, categoria profissional e competência técnica, que é o Jorge Moreira da Silva, mas tudo o resto, a nível distrital e a nível concelhio, sabemos bem que está ou amorfo ou descontente”, sublinhou.
Afirmando que “os órgãos devem cumprir os seus mandatos” e que não contesta “a direção neste momento”, Capucho admitiu, no entanto, “na altura própria”, quando houver eleições no congresso do PSD, avançar com uma candidatura aos órgãos do partido.
“Quando vierem novas eleições ao nível do congresso sim, isso admito perfeitamente fazer parte de uma equipa que possa vir a apresentar uma alternativa a esta linha liberal, mas só na altura própria, porque neste momento precisamos de estabilidade”, afirmou.
Para António Capucho, “não é com anúncios de candidaturas prematuras ou precoces que se resolvem problemas de estabilidade, seja dentro do partido seja dentro do Governo, pelo menos até à apresentação do Orçamento do Estado, que é o primeiro passo”.
Considerando que há “uma situação de profundo desespero”, desde a classe média aos mais pobres, “por não verem justiça, equidade, e fundamentalmente por não verem luz ao fundo do túnel”, António Capucho afirmou esperar agora que o Governo esteja a negociar “o que aí vem” para substituir as alterações à TSU “ao mais alto nível”.
“Neste momento, o Governo está a fazer um certo secretismo, que eu não critico, mas espero que as negociações estejam a ser ao mais alto nível e não apenas entre burocratas, ou seja, entre técnicos do ministério das Finanças e a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu)”, disse.
O social-democrata espera que o primeiro-ministro esteja a dialogar “diretamente com os altos responsáveis do Fundo Monetário (FMI), do Banco Central Europeu e dos governos amigos, designadamente com a chanceler [alemã] Merkel”.

Fonte: Lusa / SOL