Passei a andar sempre atenta na rua. Tenho medo de ser seguida, que ele volte para me fazer mal". É com a voz trémula que Sílvia Sousa, de 25 anos, recorda o assalto de que foi vítima.



Sílvia, funcionária de uma loja de compra e venda de ouro no centro de Paços de Ferreira, temeu pela vida quando um homem, de cara tapada e armado de faca, lhe exigiu todo o dinheiro do cofre. "Não quis o ouro. Ameaçou-me de morte até lhe dar as notas todas", recorda. O assaltante, com 30 anos, foi apanhado meses depois. Sílvia continua a viver aterrorizada.

Considerada, até pelas autoridades, como uma cidade pacata, Paços de Ferreira esconde uma realidade por vezes dura de enfrentar: o centro do concelho é palco de dezenas de roubos por mês. Nas dez freguesias a cargo da GNR de Paços de Ferreira (o posto de Freamunde é o responsável pelas restantes seis), os furtos, injúrias, ameaças e violência doméstica têm aumentado, mas de forma controlada.

Segundo fonte da GNR, o último ano terá sido o mais violento de sempre: em Junho, o funcionário de uma bomba de gasolina foi esfaqueado durante um assalto, em Figueiró, e um mês antes registou-se um homicídio num café em Eiriz. "Já não tínhamos uma morte violenta desde 2009", admitiu ao CM a mesma fonte.

Os assaltos a estabelecimentos ocorrem normalmente durante a noite e a população redobra os cuidados. Rosa Pinheiro, dona de um café em Carvalhosa, confirma que receia ser assaltada. "Já fomos roubados três vezes. Nos últimos anos também fomos burlados", conta a mulher, de 64 anos.

DISCURSO DIRECTO

António Coelho, vereador da Câmara Municipal

Correio da Manhã - Considera Paços de Ferreira uma cidade perigosa?

António Coelho - Não é propriamente pacata, mas é segura tendo em conta os níveis de criminalidade existentes no País. Não temos muitos crimes violentos.

- De que forma a autarquia tenta melhorar a segurança?

- Temos uma articulação permanente com as forças de segurança, nomeadamente com a GNR de Paços de Ferreira e Freamunde. Tentamos perceber a dinâmica do crime para o diminuir.

- Os esforços feitos até agora têm surtido efeito?

- Penso que sim, até porque as estatísticas dizem-nos que de 2010 para 2011 os crimes diminuíram. Este ano tem sido particularmente complicado devido ao furto de cobre e tampas de saneamento.

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