O nanofluido está a ser desenvolvido por Bruno Silva (à esquerda) e os colegas nos laboratórios da Universidade de Aveiro © UA


Um investigador português da Universidade de Aveiro (UA), com a colaboração da sua equipa, está a desenvolver um nanofluido "super refrigerante" que se distingue dos outros líquidos que alimentam os atuais sistemas de refrigeração por permitir melhorias enormes na performance dos equipamentos. Segundo Bruno Silva, um sistema de refrigeração baseado neste nanofluido poderá mesmo ajudar a levar o Homem... a Marte.

De acordo com o cientista, do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA, onde está a doutorar-se em Sistemas Energéticos e Alterações Climáticas, o fluido tem um material base constituído por água e etilenoglicol, usados em qualquer sistema de refrigeração. O segredo é a adição de nanopartículas, constituídas por nanotubos de carbono, obtendo-se, no final, uma mistura que tem como resultado, à vista desarmada, "um líquido escuro" - "a nossa tinta preta", chama-lhe a equipa.

Na página da Universidade, Bruno Silva explica que o principal caráter inovador do nanofluido se relaciona com a sua "elevada condutividade térmica e a estabilidade ao longo do tempo", elementos que permitem melhorar em mais de 20% a sua eficácia face aos líquidos usados tradicionalmente para refrigeração. Esta eficácia poderia ser útil para sistemas tão díspares - em características e dimensões - como ares condicionados, computadores, centrais nucleares e, em última instância, naves espaciais.


"Sabemos que o nanofluido funciona. Só não sabemos o quão bem funciona", explica o investigador, acrescentando que saber a quantidade certa de nanopartículas a utilizar para obter ainda melhores resultados e perceber exatamente quais as reações químicas e físicas estão na base dos resultados "fabulosos" que o grupo tem alcançado são as próximas prioridades.

Um dia mais tarde, Bruno Silva sonha que um sistema de refrigeração que utilize o nanofluido inovador que está a desenvolver possa ajudar os seres humanos a pisar solo marciano, permitindo à nave espacial aguentar as altas temperaturas na descolagem e as enormes oscilações térmicas que o vaivém sofrerá o longo tempo de duração da viagem e chegar em segurança ao planeta vermelho.

"Já provámos que o fluido consegue sobreviver e manter-se estável ao longo da descolagem do vaivém", desvenda o cientista português. Porém, para que a resistência e eficácia do nanofluido possam, um dia, dar um empurrão na viagem até Marte, há ainda pela frente a necessidade de realizar muitos mais testes.

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