"Assinei cheques porque os meus irmãos pediam. Não reparava no nome das empresas. Até podia dizer CTT. Eles pediam, eu confiava." Foi desta forma que a vereadora da Câmara do Porto, Guilhermina Rego (eleita pelo PSD), explicou ontem, no Tribunal de Vila Nova de Gaia, uma das poucas funções que cumpria enquanto administradora e co-herdeira de duas empresas de sucatas envolvidas num esquema de facturas falsas. A autarca está acusada de associação criminosa e fraude fiscal de cinco milhões de euros. O julgamento, que começou ontem, tem mais 17 arguidos.



Em causa, está um esquema de facturas falsas, desenvolvido entre 1999 e 2003, para permitir a dedução indevida de IVA e que incluía transacções intracomunitárias fictícias. Para tal, eram constituídas empresas-fantasma e testas-de-ferro.

A vereadora do Conhecimento e Coesão Social do Porto negou os factos de que está acusada. "A minha actividade nunca esteve ligada à actividade da empresa. Sempre fui professora e segui a carreira académica. Nunca exerci de facto a administração da empresa", começou por dizer ao colectivo de juízes.

Guilhermina Rego assume que assinava cheques, quando o irmão e a irmã (também administradores das empresas e arguidos) lhe pediam, e que apenas participou na empresa num processo para a certificação ambiental. "A minha colaboração era servir de interlocutora entre a consultora externa e a empresa. Nunca entrei em contacto directo com clientes", adiantou.

A tese da autarca, que pediu dispensa das sessões, foi corroborada pelos irmãos. "Ela não percebia nada daquilo", admitiu Maria Glória Rego. "Os negócios eram feitos comigo e com a minha irmã Maria da Glória", disse António Silva Rego. O julgamento continua hoje.

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