Entre um amontoado de chapa, ferros dobrados e plásticos derretidos, os investigadores e peritos da Polícia Judiciária (PJ) entraram ontem nos escombros do Retail Park de Portimão, que foi destruído pelas chamas.



Depois de mais de uma semana a aguardar por condições técnicas para iniciar as peritagens, a PJ começou a recolha de vestígios no sentido de encontrar as causas do violento incêndio que destruiu por completo sete megalojas do complexo comercial.

No meio de um cenário dantesco, provocado pelo fogo que ocorreu na madrugada do dia 23, os investigadores socorreram--se de plantas das sete megalojas comerciais para localizar o que restou das ligações eléctricas. Ao que o CM apurou, as autoridades querem encontrar o ponto de ignição do fogo, para perceber se se tratou de um curto-circuito ou se houve a intervenção de terceiros. Ao mesmo tempo, sabe o Correio da Manhã, a PJ tenta apurar com exactidão as horas de accionamento dos alarmes e a razão porque o fogo alastrou com tanta rapidez.

No terreno estão oito elementos da PJ, entre eles inspectores do Departamento de Investigação Criminal de Portimão e peritos especializados em incêndios, do Laboratório de Polícia Científica. As perícias de ontem centraram-se junto à loja De Borla, onde a polícia acredita que tenha começado o incêndio.

De manhã foram planeadas as operações. À tarde, os investigadores começaram a recolha de vestígios no meio dos escombros. A equipa da PJ vinda de Lisboa ficará em Portimão, pelo menos, uma semana.

MÁQUINAS APOIAM POLÍCIA

A falta de meios logísticos, nomeadamente maquinaria pesada e pessoal que ajudasse os investigadores no meio dos escombros, atrasou o início do trabalho da PJ no terreno. Ontem, já existiam no local várias máquinas e outros equipamentos que irão servir para recolher vestígios que possam ajudar nas investigações. Os técnicos das seguradoras das sete lojas destruídas e do próprio Retail Park também entraram ontem no recinto, que tem sido preservado pela PSP e por seguranças.

DESPEDIMENTOS E CONTRATOS SEM RENOVAÇÃO

Várias trabalhadoras de uma empresa de limpezas, que prestava serviço para o Continente, no Retail Park, começaram a "receber cartas de despedimento", denunciou o Sindicato dos Trabalhadores de Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal. Outros trabalhadores estão a ser avisados de que os contratos de trabalho não vão ser renovados. Segundo a sindicalista Maria José Madeira, está em causa o futuro de mais de 300 pessoas que trabalhavam, directa ou indirectamente, no Retail Park. "A preocupação é grande, porque são trabalhadores que têm os postos de trabalho em risco se as empresas não reabrirem as lojas", referiu.

cm