O diário de José Guedes, onde aquele descreve os homicídios que vitimaram três prostitutas nos anos 90, em Lisboa, vai ser sujeito a exames para que seja apurada a data em que o mesmo foi escrito. Ao CM, o filho do arguido chegou a dizer que ajudou o pai a escrever os textos durante o jogo de futebol Portugal-Bósnia, no ano passado.



A realização da perícia surge após um requerimento de Poliana Ribeiro, advogada do alegado ‘estripador de Lisboa’ – que começa a ser julgado este mês pelo homicídio de Filipa Ferreira, em Cacia, no ano 2000. Para além da análise ao diário, o tribunal autorizou ainda, com carácter de urgência, a realização de exames psiquiátricos ao próprio arguido, no sentido de atestar a sua sanidade mental. José Guedes já tinha sido submetido a perícias que o consideraram "agressivo" e "egocêntrico".

Para a defesa de Guedes, ambos os testes mostram-se indispensáveis e podem servir como meios de prova. Poliana Ribeiro relembra que a única prova contra o seu constituinte é uma conversa com uma jornalista do ‘Sol’, em que aquele assume a autoria dos três crimes de Lisboa e ainda do homicídio de Filipa Ferreira, crime pelo qual vai ser julgado no Tribunal de Aveiro a partir de dia 15 deste mês.

Para trás ficaram as comparações entre o ADN e a impressão palmar de José Guedes com os vestígios recolhidos no local dos crimes do "estripador" de Lisboa. A advogada chegou a requerer essas perícias, que serviriam para atestar se o arguido matou, de facto, as três prostitutas, e que o poderiam ajudar em fase de julgamento. Porém, tais exames já não se vão realizar por vontade da causídica.

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