Durante vários anos, o polícia Carlos Cunha conduziu comandantes da PSP e foi motorista de patrulhas. Não tinha carta de condução, mas nunca ninguém desconfiou, até que a mulher, de quem se estava a divorciar, o denunciou. Ontem, o polícia do Comando de Aveiro foi condenado pelo tribunal a um ano de pena suspensa. Estava acusado de mais de duas dezenas de crimes de condução ilegal, mas a juíza alterou a qualificação para apenas um crime na forma continuada.





"Estou arrependido, mas nunca tive coragem para dizer que não tinha carta", explicou ao tribunal o polícia. "Foi uma conduta grave e prolongada no tempo. O senhor é polícia, por isso tem um dever acrescido", sublinhou ontem a juíza, após a leitura da sentença.

O agente da PSP era escolhido para conduzir os oficiais por causa da sua condução segura, educação e compleição física, que transmitia alguma segurança aos graduados quando tinham de fazer patrulhamento à noite. Depois de o caso ser conhecido, Carlos Cunha tirou a carta de condução. Actualmente, integra as Brigadas de Intervenção Rápida da PSP de Aveiro.

O tribunal deu ainda como provado um crime de abuso de poder e condenou Carlos Cunha a uma multa de 1050 euros. É que, segundo o tribunal, entre 2005 e 2010, o polícia conduziu viaturas policiais, várias vezes, por fazer parte da escala de motoristas ao serviço do oficial de dia, recebendo um complemento salarial. O polícia foi absolvido de pagar uma indemnização cível a favor do Estado.

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