Lucinda Fonseca ainda sente um "arrepio de medo" ao lembrar o som da navalha de ponta e mola a abrir quando o assaltante entrou na loja de cereais, na Baixa de Coimbra. Foi no início do ano. Lucinda, 65 anos, comerciante, estava a atender um cliente. O ladrão exigiu dinheiro. Dizia que tinha de alimentar os filhos, mas "era mentira".



Nos meses seguintes teve pesadelos: "Andei desorientada". Deixou de dar passeios pela Baixa com medo de encontrar o suspeito, entretanto libertado. São casos como este que contribuem para que comerciantes e residentes se sintam inseguros. "As pessoas andam aterrorizadas", diz Maria Dulce, moradora.

No Terreiro da Erva, associado ao consumo e tráfico de droga, os arrumadores de carros correm de um lado para o outro. "Intimidam as pessoas e roubam", conta Maria, 67 anos. As rixas entre grupos, que já fizeram uma morte, também incomodam.

"Todos os problemas criam insegurança", reconhece o comissário Nobre Monteiro, mas diz que a PSP está atenta e tem vindo a reforçar o policiamento na zona. Outras equipas foram mobilizadas para áreas onde se verificou um aumento do furto em viaturas.

Na Alta, junto à universidade, os alvos são os estudantes. Há roubos na rua e assaltos a casas. Os furtos em residências em carros atingem toda a cidade, tal como os assaltos a estabelecimentos. "Há problemas em todo o lado", diz Nuno Rocha, taxista, mas aponta o Planalto do Ingote, associado ao tráfico, como o pior. A PSP tem uma equipa diariamente nessa área.

DISCURSO DIRECTO

"À NOITE PODE-SE CIRCULAR", João Paulo Barbosa Melo, Pres. Câmara Coimbra

Correio da Manhã - Que avaliação faz da segurança na cidade?

João Paulo Barbosa de Melo - Coimbra é segura. É uma cidade com muitos jovens. Mesmo à noite pode-se circular à vontade.

- Quais os problemas?

- É sobretudo a pequena criminalidade: roubos por esticão e furtos em casas. Mas as estatísticas não mostram que haja uma subida. Na Baixa até se verificou uma diminuição.

- Não corresponde ao sentimento da população.

- Não corresponde ao que as pessoas sentem porque há a ideia de que a Baixa é insegura. Há ainda trabalho a fazer em termos de comunicação. A câmara está atenta. O Conselho Municipal de Segurança está a reunir-se com frequência para detectar os problemas quando nascem.

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