Luísa Barroso, Presidente da União Zoófila, sobre o aumento do número de animais deixados nas associações .



Correio da Manhã – O número de animais abandonados em associações está a aumentar em Portugal. A que se deve este cenário?

Luísa Barroso – O aumento verifica-se há já alguns anos. Contudo, a situação é mais grave este ano, devido à crise. Existem várias justificações, tais como, as pessoas que vão emigrar, que se divorciam ou que não têm dinheiro para alimentar os animais. Depois também há pedidos de ajuda para a compra de vacinas ou esterilizações. Noutros casos, há quem peça para deixar os animais temporariamente até reunirem condições.

– A União Zoófila está sobrelotada?

– Sim. A situação é dramática. Temos neste momento cerca de 700 animais, mais de 500 cães e o restante número em gatos. O que está a acontecer neste momento é que estamos a pagar hotéis particulares porque temos um grande número de animais à nossa guarda, para os quais não temos mais espaço.

– Que mecanismos é que poderiam ser criados para atenuar o abandono de animais?

– O Governo devia estar mais atento. Quem maltratasse um animal devia ser multado. Esta medida fazia com que as pessoas tivessem mais consciência dos seus actos.

– Quais são os cães que são mais frequentemente deixados à porta das associações?

– Curiosamente são os caniches e os cães de caça.

– Ter um cão implica ter gastos. Há soluções económicas para não deixar de lado os animais?

– Sim. Ter um cão com dois quilos ou com sessenta é diferente. Se a pessoa não pode pagar uma ração de topo, opta por uma mais barata. As associações de animais têm preços económicos para vacinas e outros tratamentos para os associados.

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