Baralhar os receptores dos GPS é o novo truque que os ladrões usam para roubarem carros sem serem localizados .


Os "GPS jammers" têm sido usados no furto de automóveis, mas os peritos temem maiores consequências...

Como é que se rouba um carro de alta cilindrada com sistema de localização GPS sem ser apanhado? Fácil. Usa-se um aparelho que emite sinais de frequência GPS para que o receptor não distinga verdadeiros e falsos, e não saiba sequer se está parado ou a a andar.
O "baralhador de GPS" é um dos últimos gritos entre os ladrões de carros, um sucesso de vendas no mercado negro. Não é tecnologia de ponta, nem uma novidade; mas nunca foi tão fácil e barato comprar um. E isto é motivo de grande preocupação, já que os "GPS jammers" podem ser usados para distorcer a utilização de qualquer sistema de navegação por satélite, não apenas os navegadores usados nos carros, e não há nada que se possa fazer para o impedir.

Segundo explica ao i Tiago Borges, administrador da especialista em localizadores Inosat, não é possível "ultrapassar os efeitos de bloqueio de localização induzidos" por estes aparelhos. No entanto, "existe a possibilidade de detectar se estamos a ser alvo deste tipo de acção e espoletar um alarme em tempo real", que envia uma equipa de recuperação ao local da ocorrência.

A maior fraqueza destes sistemas é que os sinais recolhidos pelos receptores são muito ténues. Logo, para os baralhar não são precisos aparelhos poderosos. Um exemplo? Cada satélite de uma constelação de navegação debita menos energia que o farol de um carro, a uma distância de 20 mil quilómetros. Um "baralhador" fabricado na China, que pode custar tão pouco quanto 25 euros, é suficiente para "inundar" os receptores. Daí que a polícia inglesa tenha encontrado vários aparelhos deste tipo em criminosos presos no último ano e meio. Já na semana passada, um painel de especialistas ingleses reuniu-se para discutir o problema e deu o alerta.

"O GPS dá-nos transportes, distribuição, fabrico 'na hora', operações de emergência, até extracção mineira, construção de estradas e agricultura, tudo isto e um zilião mais", explicou o engenheiro David Last, da Universidade de Wales, ao painel de conferencistas. "Mas o que poucas pessoas fora desta comunidade reconhecem é o timing da elevada precisão que o GPS fornece para manter as nossas redes telefónicas, a internet, as transacções bancárias e até a rede energética online", avançou.

Este tipo de aparelhos já existe há anos e tem sido utilizado por militares, para impedir que a facção inimiga localize os soldados. No entanto, embora seja ilegal fabricar ou vender "baralhadores", é permitido importá-los. Tiago Borges, da Inosat, conta que a empresa tem lidado mais com esta situação no Brasil, onde a taxa de furtos de automóveis é elevada. "Em São Paulo tivemos relatos de empresas de seguros que foram alvo de roubos com utilização de "GPS Jammers" e que estes equipamentos podem ser facilmente comprados em algumas lojas de electrónica, por 800 euros (2000 reais).

As polícias mundiais já estão a discutir uma forma de impedir que os "jammers" mais poderosos sejam usados por terroristas para desviar aviões. Ao contrário dos aparelhos simples importados da China, os "jammers" mais complexos podem fazer estragos consideráveis. Por exemplo, levar um receptor GPS a indicar que está em movimento quando na verdade está parado ou até simular uma rota diferente da que está a ser seguida.

fonte : Tecnologia