Presidenciais: População receosa armazenou comida
Venezuela teme caos após o voto


A Venezuela vai hoje às urnas escolher o presidente para os próximos seis anos num clima de grande tensão, depois de as últimas sondagens darem um empate técnico entre o presidente e candidato à reeleição, Hugo Chávez, e o seu opositor, Henrique Capriles. A possibilidade de vitória da oposição, levou milhares de pessoas, receosas de eventuais problemas pós-eleitorais, a correrem para os supermercados.

"Ninguém sabe o que pode acontecer, as coisas estão muito agitadas no plano político", afirmou à agência Lusa a portuguesa Matilde Araújo. Aliás, a corrida aos supermercados foi de tal ordem que, em alguns bairros de Caracas, vários estabelecimentos esgotaram os stocks de arroz, esparguete, café e leite.

De facto, depois de Chávez repetir na campanha que, em caso de derrota, não passaria o poder, e ter até insinuado recorrer às armas, os venezuelanos temem que uma vitória do presidente por pequena margem dê azo a contestação ou que uma vitória de Capriles seja seguida de reacção violenta e até de um banho de sangue. Os institutos de sondagens revelaram uma situação indefinida, com Chávez e Capriles separados por margem muito pequena, enquanto os indecisos chegavam aos 15%.

O governo deslocou 139 mil militares para os 13 700 locais de votação em todo o país. Mas Chávez também enviou para assembleias de voto grupos paramilitares que ele próprio criou há dois anos para, se for preciso, defenderem a revolução.

Numa campanha dominada pela doença de Chávez, que sofre de cancro, a violência esteve sempre presente, um pouco por todo o país. Na semana passada, recorde-se, três apoiantes de Capriles foram executados a tiro num acto de campanha.

C. da Manha