Consultor do Governo espanhol
Despedido por dizer que leis e mulheres "existem para serem violadas"


O presidente do Conselho Geral da Cidadania no Exterior espanhol demitiu-se menos de uma semana após ter sido nomeado por ter dito publicamente que "as leis são como as mulheres, existem para serem violadas", foi noticiado neste sábado.

José Manuel Castelao Bragaño anunciou a sua demissão poucas horas depois da difusão nos media da frase que pronunciou na quarta-feira, numa reunião do conselho em Santiago de Compostela, noticiou neste sábado o ‘El País’.

A renúncia, segundo um porta-voz do ministério do Emprego, já chegou ao Conselho da Cidadania Exterior.

Castelao, de 71 anos, tinha sido nomeado na segunda-feira e assegurou ao jornal que a sua renúncia não estava relacionada com o comentário que proferiu.

No seu segundo dia no cargo, José Manuel Castelao estava na reunião a reclamar a ata da mesa da Educação e Cultura, à qual faltava um voto para formalizar o documento.

"Não faz mal. Há nove votos? Ponham dez... As leis são como as mulheres, são para ser violadas", disse, segundo as pessoas que estiveram na reunião.

Alguns membros da comissão ficaram atónitos e escreveram ao diretor geral das Migrações a exigir que Castelao Bragaña pedisse desculpas públicas.

"Ninguém me pediu a renúncia. Tenho uma situação pessoal pela qual não posso continuar no cargo. Não está relacionado com o sucedido, embora seja verdade que tudo conta", explicou, por telefone, ao jornal.

Castelao reconhece o ocorrido, mas considera que foi mal interpretado.

"Citei a frase, reconheço, mas com o sentido inverso, embora não possa atribuir a outro uma responsabilidade que é minha", disse, por telefone ao ‘El País’.

"Sinto muito. Lamento profundamente o que ocorreu. E duplamente: pelos que a escutaram, quase todas mulheres, porque lhes causei dor e por mim, e porque construi um edifício que me caiu em cima", acrescentou.

C. da Manha