"Ele ainda olhou para mim, mas morreu logo a seguir. Não teve força para falar." Micheliny dos Santos descreveu assim, à imprensa, a forma como perdeu, junto ao carro e após discussão de trânsito, o marido Mário José dos Santos, português de 42 anos que foi assassinado terça-feira com dois tiros em Maceió, no Brasil, para onde se tinha mudado há sete meses para explorar uma padaria.



Entretanto, o homicida está identificado pela Polícia Civil, que já sabe o seu nome e onde trabalha – mas está em fuga desde que cometeu o crime. É proprietário de um Fiat Palio e, após ter disparado dois tiros à queima-roupa, com uma pistola de calibre .380, ainda passou com o carro por cima da vítima.

Cícero Lima, coordenador da Delegacia de Homicídios local, disse que a identificação foi feita através do retrato-robô que foi espalhado na zona. O corpo do português, entretanto, só chegará a Portugal na quarta-feira.

Micheliny, que casara há dois meses com o português, de Sobreda da Caparica, Almada, lembra que estava na padaria quando recebeu a chamada da polícia e correu para o local. Mário Santos morreu na ambulância.

A mulher lamentou o temperamento explosivo do marido. "Ele não devia ter feito frente a ninguém, aqui a violência é diferente." Marcone, o enteado, assistiu ao crime. "Disse--lhe várias vezes para ele se acalmar. Para não discutir", disse o jovem, que tinha aproveitado a boleia do padrasto para a faculdade.

No trânsito, o homicida entrou em disputa com Mário, dando um toque no seu carro. Uns metros mais à frente, pararam lado a lado. Mário saiu a pedir satisfações e, mal se aproximou da outra viatura, levou os dois tiros.

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