A Ordem dos Enfermeiros (OE) acusa o Ministério da Saúde de "ferir o respeito pela profissão" e de "perpetuar o desperdício de recursos" ao nomear um grupo de trabalho para analisar, até ao final do ano, as condições de abertura de unidades de saúde familiares geridas por privados, sem que dele faça parte um único enfermeiro.



De acordo com o despacho de 1 de Outubro, o grupo, constituído por médicos e administradores hospitalares, terá de identificar as áreas prioritárias de implementação dos projectos-piloto e definir a metodologia e aplicação deste modelo de gestão.

"Os enfermeiros são um recurso indispensável para a prossecução das boas práticas que vierem a ser definidas. Menosprezar esse capital é amputar e desvirtuar a missão a que este despacho se propõe", garante Germano Couto, bastonário da OE, que na última sexta-feira deu a conhecer a sua indignação ao secretário de Estado adjunto, Fernando Leal da Costa. Ao Governo, o bastonário pede a correcção do "lapso lamentável" e deixa um aviso: "Gostaríamos de manter o clima de colaboração mas isso pressupõe respeito pelas atribuições e competências de cada profissão". O CM pediu esclarecimentos à tutela, mas não obteve resposta.

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