A técnica é inovadora a nível mundial. O Centro Hospitalar de Gaia/Espinho (CHGE) aliou um cateter fino à ecografia a quatro dimensões para tratar doentes com problemas do coração. Sem necessidade de anestesia geral nem intubação do doente, os médicos conseguem ver as estruturas intracardíacas e resolver as patologias.



Os primeiros dois doentes foram tratados em Setembro. Um dos tratamentos foi para encerrar uma comunicação interauricular; o outro paciente tinha fibrilação auricular e precisava de encerrar o apêndice auricular, devido ao risco de AVC. No entanto, esta técnica pode ser utilizada em todas as patologias dentro do coração. A diferença em relação à actual técnica é o facto de o doente estar com anestesia local, e não ter de ser entubado para se introduzir uma sonda no esófago. "O cateter é fino e introduzido na veia femoral [virilha] com anestesia local, com a vantagem de diminuir os riscos associados à anestesia e intubação, diminuindo a morbilidade do procedimento. A técnica usada actualmente para tratar estas patologias – encerramento do apêndice auricular, de comunicação interauricular, implantação de válvula aórtica percutânea, encerramento de ‘leaks’ paravalvulares – é a da ecocardiografia tran-sesofágica, o que obriga a intubação e anestesia", explica Vasco da Gama Ribeiro, director de Cardiologia do CHGE.

Além de se usar o cateter fino, a ecografia é a 4D: tridimensional em tempo real (a cores e movimento). "Integra todas as modalidades de imagem cardíaca numa só plataforma de visualização e com base de dados comum, o que faz que o processo clínico seja mais fluido e rápido". Os cateteres foram oferecidos ao hospital pela Siemens, para a realização de testes, e não há mais intervenções agendadas.

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