O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais pessimista quanto à evolução da economia global este ano e no próximo, e considera que o agravamento da crise no euro é um risco «alarmante».
A economia global vai crescer 3,3 por cento este ano e 3,6 por cento no próximo, enquanto a economia da zona euro vai encolher 0,4 por cento este ano e aumentar apenas 0,2 por cento em 2013.
Estes números constam do ‘Outlook’, publicação sobre perspectivas económicas do FMI que vai hoje ser apresentado na reunião conjunta do Fundo e do Banco Mundial em Tóquio. São previsões mais negativas que as anunciadas há apenas três meses pelo FMI.
«Os indicadores de actividade [económica] e de desemprego mostram um crescimento fraco na primeira metade de 2012, sem melhorias significativas no terceiro trimestre», lê-se no documento do FMI.
Isto é válido para as economias avançadas, particularmente para a zona euro; mas mesmo em economias emergentes, «as taxas de crescimento não deverão voltar aos níveis anteriores à crise [financeira]».
Até para os países ‘BRICS’ o FMI prevê abrandamento. No caso específico da China, espera-se um crescimento muito forte (7,8 por cento este ano e 8,2 por cento no próximo), mas mesmo assim menor do que o inicialmente previsto, e bastante abaixo do registado nos anos anteriores.
Mas mesmo este cenário mais pessimista baseia-se em dois pressupostos: que «os decisores europeus conseguirão controlar a crise na zona euro» e que os Estados Unidos vão evitar o ‘precipício orçamental’.
Nos EUA, vai expirar, em 2013, uma série de cortes aos impostos decretados durante a presidência de George W. Bush, ao mesmo tempo que entram em vigor uma série de cortes draconianos à despesa. Este fenómeno, o ‘precipício orçamental’, poderá ter grave impacto sobre o crescimento económico nos EUA e no resto do mundo, a menos que os atores políticos norte-americanos ultrapassem o actual impasse, considera o Fundo.
No caso da Europa, o FMI teme que a crise da dívida «possa voltar a intensificar-se». Nesse sentido, o Fundo recomenda uma «união monetária mais completa», e a continuação de «reformas estruturais» (por exemplo, no sector dos serviços).
Um agravamento da crise das dívidas soberanas teria um impacto de mais 1,75 pontos percentuais sobre o PIB da zona euro – em média; na «periferia» (os países do Sul, incluindo Portugal), «o declínio seria de cerca de 6 por cento».

Fonte: Lusa/SOL