Espancou até à morte José Silveira Machado, 64 anos, com quem partilhava casa em Oeiras, desfazendo-lhe a cabeça com um piaçaba de metal. E viveu três dias com o cadáver, num quarto do 1º esquerdo no número 67 da avenida da República – até que, anteontem à tarde, a mulher e o filho da vítima alertaram a polícia para o desaparecimento. Bruno Romeira, o homicida de 30 anos, foi preso quando já se preparava para transportar e esconder o corpo.



Acabou por confessar o crime e explicou que foi movido pelo ciúme. "Ele roubou-me a casa e a namorada", disse. Ao que o CM apurou, Bruno, visto pelos vizinhos do prédio como "muito problemático", foi surpreendido pela PSP e pelos bombeiros, que tinham sido alertados pela família da vítima, incontactável desde o fim-de-semana. Já embrulhara a cabeça da vítima com ligaduras e preparava-se para retirar o corpo do apartamento.

Quando os agentes bateram à porta, Bruno ainda os tentou enganar, dizendo que José Machado partira de férias para Viseu. E foi no momento em que os polícias tentavam clarificar a situação que Bruno saltou da janela do primeiro andar. Em vão. Foi preso poucos metros depois.

Segundo os vizinhos, Bruno Romeira vivia no prédio há poucos meses, "desde que começou a namorar com uma mulher que estaria para comprar a casa e que alugava os quartos", mas que ainda não era a legítima proprietária. O processo corre em tribunal. José Machado, 64 anos, tido como um homem "pacato e fechado", "estava a preparar-se para sair daquela casa" – por não querer "viver mais num inferno de barulho e de droga".

cm