Quatro dos 65 arguidos no processo de burlas à ADSE – a maioria são antigos funcionários dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) – imputaram ontem no Tribunal de S. João Novo, no Porto, culpas a Felisberto Monteiro e à mulher, Julieta, os donos da clínica dentária que passavam recibos de tratamentos que nunca foram feitos, numa burla de 200 mil euros.



Os quatro depoimentos foram efectuados na ausência dos restantes arguidos, uma vez que uma funcionária das Águas do Porto, Alzira Freitas, alegou estar a ser pressionada por colegas. "Ia à clínica com os meus dois filhos, mas nunca prestei atenção ao valor dos recibos, confiava nos dentistas. Só mais tarde vi que constavam lá tratamentos que nunca fiz", disse Alzira.

A discrepância entre os tratamentos efectuados pelos arguidos e familiares e os que constavam nos recibos era, em alguns casos, bastante evidente. Os dois dentistas chegaram a fingir que um menino, de 10 anos, fez 14 restaurações de dentes e retirou 14 quistos das gengivas. "O meu filho nunca fez nada disso, garanto. Nunca vi os recibos, quem cuidava disso era o meu irmão que, entretanto, morreu", explicou a arguida Fernanda Rocha.

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