José Dirceu, ex-ministro de Lula na Silva, antigo presidente do Brasil, que era mesmo chamado de 'czar', foi condenado na noite desta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro pelo crime de corrupção activa. A maioria dos juízes considerou provada a acusação da Procuradoria-Geral da República de que Dirceu foi o idealizou o 'Mensalão', a maior rede de corrupção já descoberta no Brasil, que desviava milhões de empresas públicas para pagar a fidelidade de parlamentares a Lula da Silva.



Logo após a confirmação da condenação de Dirceu, o seu advogado, José Luis de Oliveira Lima, afirmou que o julgamento e a sentença não foram justos. Num curto comunicado, Dirceu declarou que, apesar da condenação, vai continuar a lutar para provar a sua inocência.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, José Dirceu, que no início do governo Lula da Silva tinha poder absoluto no executivo central, criou o 'Mensalão' para desviar largas dezenas de milhões de euros para beneficiar parlamentares e outros políticos em troca de apoiarem cegamente o governo Lula. Segundo o actual PGR, Roberto Gurgel, José Dirceu era o chefe máximo da organização criminosa que tanto lesou os cofres públicos brasileiros.

A pena a que Dirceu será condenado só será divulgada pelo Supremo Tribunal Federal após julgados todos os arguidos e os vários crimes. Mas Dirceu - que ficou sem direitos políticos em 2005, ao perder o mandato parlamentar, também por corrupção - não vai poder ser eleito para nenhum cargo até 2024, quando terá 78 anos. Assim, tudo indica que não poderá alcançar um dos seus sonhos: ser presidente do Brasil.

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