Já me roubaram o café por várias vezes", queixa-se ao Correio da Manhã Cidália Viegas, proprietária do Tridoce, na rua 18 de Junho, em Olhão. Este ano, o estabelecimento já foi assaltado três vezes, sempre de madrugada. Na última vez, "os ladrões ainda tiveram tempo para comer antes de arrombarem a máquina do tabaco", conta Cidália Viegas.



Este é apenas um dos casos de furto em estabelecimento com arrombamento, que, segundo dados da Polícia de Segurança Pública a que o CM teve acesso, subiram no primeiro semestre deste ano relativamente ao mesmo período do ano passado (17 casos em 2011; 26 em 2012).

"Grande parte dos furtos a estabelecimentos comerciais foram cometidos por um grupo já identificado por nós", diz ao CM o subcomissário Hugo Marado, da PSP de Olhão. Segundo este oficial da polícia, o grupo é responsável por assaltos na zona de Faro que chegaram a envolver furtos de veículos.

"Não se consegue fazer cessar a actividade deste grupo de um dia para o outro, mas há um esforço de todo o efectivo para os conseguir deter em flagrante, para que o ilícito não volte a acontecer", diz Hugo Marado.

Outro dos crimes que também registaram uma subida significativa foi o de furto em residências com arrombamento: um acréscimo de 10,3 por cento (29 casos em 2011; 32 em 2012).

"Levaram-me todo o ouro, dinheiro, máquina fotográfica, roupa e sapatos, tudo o que tinha valor. Foram muitos milhares de euros de prejuízo", diz Maria José Alexandrino, vítima de furto na sua casa em Belmonte, nos arredores de Olhão.

DISCURSO DIRECTO

"A MAIOR PREOCUPAÇÃO É O TRÁFICO"

Hugo Marado, Subcomissário da PSP de Olhão

Correio da Manhã - Qual é a maior preocupação a nível de crime em Olhão?

Hugo Marado – A nossa maior preocupação é o tráfico de estupefacientes, que, apesar de ser complicado quantificar, tem aumentado.

– O que tem sido feito para o combater?

– Estamos 24 horas por dia na rua e recolhemos muita informação. Temos tido algum sucesso, com um aumento de prisões preventivas que temos conseguido.

– Olhão tem fama de ser uma cidade perigosa. É um estigma?

– Na minha opinião, é um estigma, e exemplo disso é o número de crimes por habitante [25,03 por mil habitantes], o segundo mais baixo do Algarve. E temos de nos recordar que Olhão é uma cidade única no Algarve, com sete bairros sociais.

cm