A fuga de capital da periferia para o centro da zona euro agrava a instabilidade financeira na Europa e realça o «precário» equilíbrio da moeda europeia, alertou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No seu relatório de Estabilidade Financeira Global, hoje divulgado, o FMI salientou a fuga de capital de países como Itália e Espanha e os seus altos spreads de dívida soberana como reflexo das tensões financeiras e aversão ao risco.
O relatório destaca que Espanha sofreu saídas de capital entre Junho de 2011 e Junho deste ano de 296 mil milhões de euros (27 por cento do Produto Interno Bruto de 2011), enquanto a Itália registou saídas de 235 mil milhões de euros ou 15 por cento do PIB do ano passado.
Segundo o FMI, por detrás dos altos spreads da dívida soberana destes países estão a perda de confiança nos responsáveis políticos, as fortes ligações entre a banca e os títulos da dívida e a retirada dos investidores transfronteiriços.
Para o fundo, a Europa continua a ser o epicentro das tensões globais que provocaram um agravamento das perspectivas económicas mundiais e que ameaçam alargar-se aos mercados emergentes, como a China e o Brasil, alertando ainda para o «precário» equilíbrio do euro.
O conselheiro financeiro do FMI, José Viñals, defendeu em conferência de imprensa, em Tóquio, para apresentar o relatório que as acções dos bancos centrais deverão ser acompanhadas por acções políticas e exortou as autoridades europeias a concluírem o processo de união bancária e fiscal para evitar a fragmentação financeira na região.
«É essencial restaurar a confiança (...), dever-se-á concluir a nova arquitectura bancária sem atrasos e colocar-se na mesa alguns elementos de risco partilhado», disse.

Fonte: Lusa/SOL