Doze pessoas foram detidas, ao início da manhã de ontem, no Bairro da Quinta de Paramos, Espinho, por suspeitas de tráfico.
Alguns dos detidos, beneficiários do rendimento social de inserção, utilizavam as casas arrendadas pela Câmara de Espinho como posto de venda de drogas.
Pelas 7 horas, 150 elementos da PSP, entre os quais agentes da Unidade Especial da Polícia de Lisboa e Porto, entraram de rompante no bairro, cercando todos os acessos através de um cordão do qual ninguém podia entrar ou sair.
A megaoperação dirigida pela Divisão Policial de Espinho - acompanhada de perto pelo JN - iniciou-se com o arrombamento das portas de várias habitações referenciadas. Os moradores visados acordaram de sobressalto e os queixumes fizeram-se ouvir de imediato. "Destruíram-me a porta e desarrumaram tudo...". "Até o interior dos carros foram remexidos", lamentavam. "Mas é verdade que aqui no bairro temos problemas com droga", reconhecia um dos elementos alvos de busca.
No exterior do perímetro de segurança, a população mostrava-se unanimemente satisfeita. "Ainda bem que a PSP aqui veio. Isto já devia ter acontecido há mais tempo", afirmavam, solicitando anonimato. "A droga era vendida a toda a hora nas casas e nas ruas, mesmo em frente às crianças. Isto parecia um supermercado de droga onde vinha gente de todo o lado!". "Alguns recebem apoio do Estado pago por todos nós para andarem a fazer destas coisas", reconheceram. O negócio começou num número reduzido de indivíduos, mas rapidamente alargou-se a elementos de família e amigos. O bairro era alvo de vigilância por parte dos suspeitos, que controlavam inclusive os movimentos das autoridades.

Fonte: Jornal de Notícias