"Já não sou gay e prefiro masturbar-me a dormir com um homem mais velho." Estas foram as palavras de Renato Seabra para Carlos Castro – segundo Vanda Pires, amiga do cronista, num testemunho em tribunal – na noite de 6 de Janeiro de 2011, véspera do dia em que o manequim, 21 anos, matou o cronista social, de 65, num hotel de Nova Iorque.



Vanda Pires testemunhou ontem na segunda sessão do julgamento de Renato Seabra, que alega insanidade no momento em que matou o namorado, lhe retirou os testículos com um saca-rolhas e os colocou nos pulsos, para ‘usar os seus poderes e curar as pessoas dos males’.

Vanda Pires disse ao juiz – numa audiência onde esteve Odília Pereirinha, mãe de Renato – que o casal se mostrou apaixonado nos EUA e que só na manhã do crime é que Carlos Castro lhe contou que passaram a noite a discutir. "Disse-me que ia antecipar a viagem para Portugal e que cada um seguiria o seu caminho."

O Ministério Público tentou provar, com o testemunho de Vanda Pires, que Seabra estava lúcido e que tudo corria bem até à véspera do crime, quando o manequim saiu com umas raparigas, o que irritou o cronista.

"Eles pareciam apaixonados (...), o Carlos era capaz de lhe entregar o cartão de crédito. Deu--lhe dinheiro para jogar", disse Vanda, sobre uma ida a casinos de Atlantic City. A amiga de Castro relata mesmo os jantares entre os dois, em que não escondiam toda a sua paixão. "Lembro-me de o Renato estar a dar--lhe comida à boca e o Carlos responder com um sorriso. Pareciam muito amigos e cúmplices. Era uma relação normal."

Vanda Pires disse que Renato era "atencioso e protector, sempre interessado no que ele estava a fazer e disposto a ajudar. Tinha sempre um sorriso na cara".

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