João Vale e Azevedo perdeu ontem o recurso contra a sua extradição no Tribunal Superior de Londres. No entanto, esta decisão não o fará voltar mais depressa para Portugal.



O ex-presidente do Benfica tem ainda hipóteses de recorrer para o Supremo Tribunal britânico e ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, para evitar a extradição. De recurso em recurso, Vale e Azevedo poderá ganhar mais dois meses de alívio, apurou o CM junto de fonte do gabinete de comunicação do Supremo britânico.

Os juízes John Thomas e Stephen Silber do Tribunal Superior inglês, depois de três horas de argumentação, decidiram recusar o pedido do ex-presidente do Benfica contra a extradição, mas acompanharam as críticas da sua defesa quanto ao tempo que demoram os processos judiciais em Portugal.

Também foi criticado o facto de as autoridades portuguesas não terem apresentado uma refutação aos testemunhos dos juízes aposentados compulsivamente, José Costa Pimenta e Carlos Fraga, sobre a alegada disfunção dos tribunais no tratamento dos casos de Vale e Azevedo.

O principal argumento invocado por Alun Jones, advogado de Vale e Azevedo, foi que a exigência do seu regresso a Portugal é apenas uma "formalidade", já que terá direito à liberdade condicional e que é injusto ter de ficar detido por tempo indeterminado .

Mas, na decisão dos juízes, lida por John Thomas, é considerado "absolutamente central para pedir a liberdade condicional que a pessoa se apresente perante as autoridades".

O pedido de extradição é fundamentado pelo mandado de detenção europeu, emitido pela 4ª Vara Criminal de Lisboa, depois de fixado o cúmulo jurídico em cinco anos e meio, no âmbito dos processos Ovchinnikov/Euroárea, Dantas da Cunha e Ribafria.

cm