"Morreu sem ver a filha que vai nascer para a semana." O desabafo de Lurdes Silva, residente em Soutelo, Castro Daire, espelha o sentimento geral das duas mil pessoas que participaram ontem no funeral do cabo Marco Cruz, de 33 anos, falecido no brutal acidente na A23, na terça-feira à noite. Ali, tal como em Vilar Formoso, onde foi a sepultar o soldado José Barrancos, de 30 anos, o outro militar falecido no mesmo acidente, a emoção tomou conta dos familiares, amigos



O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e o Comandante-Geral da GNR, Newton Parreira, estiveram nos dois funerais e apresentaram as condolências aos familiares dos dois militares. Um facto que, em Soutelo, não passou despercebido. A mulher do cabo Cruz está grávida de 38 semanas e vai dar à luz na próxima semana. O militar, que há um mês se tinha mudado com a família para uma vivenda nova, deixa também outra menina, de seis anos. "Espero que as instituições apoiem esta família para toda a vida", disse na missa o padre Agostinho, de Soutelo.

As urnas com os militares da GNR falecidos foram transportadas em mãos por companheiros da corporação. Depois desceram à terra e ouviram-se salvas de tiros.

SOLDADO SALVOU VIZINHO

A população de Vilar Formoso ficou em choque com a morte do soldado Barrancos. Em Junho, o militar salvou a vida de um vizinho. "Devo-lhe a vida. Senti--me mal [teve um AVC],e ele veio a correr dar-me os primeiros socorros", disse José Miguel, de 69 anos. No funeral, Elvira Barrancos, de 67 anos, mãe do militar, estava inconsolável. "Meu filho, meu filho, esta dor não vai embora", gritou desesperada.

As causas do acidente que vitimou os militares estão a ser investigadas pelo Ministério Público, e o condutor da carrinha furtada pode ser acusado de dois crimes de homicídio por negligência. Entretanto, a PJ deteve um homem, de 71 anos, suspeito de ter ateado por negligência o fogo que motivou a presença da patrulha na A23.

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