A União Humanitária dos Doentes com Cancro alertou hoje para a existência de doentes oncológicos sem dinheiro para comer, uma situação que agrava a sua condição física já debilitada pela doença e pelos efeitos dos tratamentos.
O alerta da associação surge a propósito do Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de outubro, que lembra ainda a importância da alimentação na prevenção do cancro e na melhoria do prognóstico do doente oncológico.
«Muitos doentes têm dificuldades económicas. O pouco apetite que têm, não têm dinheiro para comer», disse à agência Lusa Cláudia Costa, psicóloga da associação.
«Estamos a passar uma fase muito complicada e as pessoas não têm dinheiro para se alimentar e os doentes oncológicos precisam, mais ainda, de uma alimentação mais equilibrada e uma vida saudável», sustentou.
Cláudia Costa contou à Lusa que já foi a casa de vários doentes levar comida, «mas está a ser cada vez mais difícil porque cada vez há menos donativos» para associação de solidariedade social e de beneficência, sem fins lucrativos, «mas tentamos sempre ajudar quando nos pedem».
«Há outro tipo de doentes que não têm dificuldades económicas, mas não têm apetite devido à doença e aos tratamentos», comentou.
Cláudia Costa lembrou que os doentes oncológicos têm de ter muito cuidado com a alimentação.
«O cancro e a malnutrição são duas condições que estão frequentemente associadas, seja pelas alterações fisiológicas resultantes da doença, seja pelos efeitos colaterais do tratamento, como a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, sendo fundamental realizar uma adequada intervenção nutricional - factor que deve ser encarado como um complemento fundamental ao tratamento», explicou.
Uma alimentação correcta pode prevenir o desenvolvimento de certos tipos de cancro e aumentar a capacidade de resposta do organismo e contribuir para a evolução positiva da doença, após diagnóstico.
«É, pois, fundamental um estado nutricional adequado que ajude a prevenir complicações e outras doenças, a optimizar a qualidade de vida do doente nos vários estádios da doença, a aumentar a resposta e tolerância aos tratamentos e a obter alta hospitalar mais cedo. Verifica-se que, na maior parte dos casos, as necessidades nutricionais dos doentes oncológicos são superiores às da população em geral», acrescentou.
Dados mostram que a desnutrição afecta 40 a 80 por cento dos doentes oncológicos, e que a maioria dos familiares e amigos, destes pacientes, não sabem como lidar com o problema, apesar de reconhecerem que as carências alimentares, decorrentes do cancro, são graves ou muito graves.

Fonte: Lusa/SOL