O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Policarpo, disse hoje, em Fátima, que as manifestações e o povo a governar, a partir da rua, resultam na «corrosão da harmonia democrática» em Portugal.
«Até que ponto construímos saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar? (…) O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática, da nossa constituição e do nosso sistema constitucional», avisou o cardeal-patriarca de Lisboa, na conferência de imprensa que serviu para apresentar a peregrinação de 12 e 13 de Outubro, no Santuário de Fátima.
José Policarpo sustentou que «não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações» e, tão pouco, «com uma revolução», uma vez que «estes problemas foram criados ao longo de muito tempo», criticando a «reacção colectiva a este momento nacional, que dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar o Governo».
O presidente da CEP alertou que é preocupante observar que «uma democracia, que se define constitucionalmente como democracia representativa, na qual as soluções alternativas têm um lugar próprio para serem apresentadas, neste momento, está na rua».
Em resposta a perguntas dos jornalistas, afirmou que «a democracia faz-se vencendo etapas como estas» e que «existem sinais positivos (…) e que estes sacrifícios levarão a resultados positivos» em Portugal e na Europa.
«O que eu sei é que a situação se criou dentro de um sistema económico-financeiro em que estamos inseridos, na União Europeia, e é lá que temos de encontrar as soluções», salientou.
José Policarpo defendeu ainda que «a arte política é embrulhar esse caminho (…), promovendo a equidade», se possível, protegendo os mais desfavorecidos e que, nesse capítulo, «a Igreja tem uma palavra».
Contudo, frisou, não cabe aos bispos comentar a situação política.
«Não nos peçam que entremos na balbúrdia das opiniões», disse, explicando que não gostaria que a sua voz fosse «mais uma entre a confusão das opiniões».

Fonte: Lusa/SOL