As três antigas SCUT do norte que passaram a ser portajadas há precisamente dois anos renderam à Estradas de Portugal (EP) cerca de 140 milhões de euros, valor que a empresa admite estar aquém da receita esperada.
Os números foram avançados à agência Lusa por fonte oficial da EP e dizem respeito às «receitas brutas» já contabilizadas nas três concessões, no período entre 15 de Outubro de 2010 e o final de Agosto de 2012.
«Este valor está abaixo da estimativa da EP, o que se explica pela descida conjuntural e generalizada do tráfego rodoviário, que se verifica em todo o país», explicou a mesma fonte.
Os 140 milhões de euros de receita com estas antigas SCUT não incluem as restantes quatro, no Interior e Algarve, que foram portajadas apenas em Dezembro de 2011.
Segundo o relatório elaborado pelo Instituto Nacional das Infra-estruturas Rodoviárias (INIR) à utilização das auto-estradas nacionais no segundo trimestre de 2012, as quebras de tráfego nas três antigas concessões SCUT do Norte continuam a acentuar-se, dois anos depois.
Assim, na concessão Norte Litoral, a quebra entre Abril e Junho deste ano foi de 8,5 por cento em relação ao segundo trimestre de 2011, com um Tráfego Médio Diário (TMD) de 19.838 viaturas. Contudo, face ao mesmo período de 2010, ainda antes da introdução de portagens, esta concessão perdeu todos os dias cerca de 10 mil viaturas.
Na concessão Costa de Prata, a redução atingiu, de 2011 para 2012, os 6,2 por cento, com 20.116 viaturas diárias actualmente, cerca de metade do tráfego de antes das portagens.
Nas auto-estradas que integram a concessão do Grande Porto, a redução cifrou-se em 7,1 por cento, passando a registar-se um movimento diário de 20.951 viaturas.
Remontando a 2010, circulam hoje menos 20 mil viaturas todos os dias nesta concessão.
Ainda no caso da concessão Norte Litoral, que integra a A28, entre Viana do Castelo e Porto, a EP admite que, mesmo sem «dados absolutos», há um desvio de tráfego para as vias «alternativas», como a Estrada Nacional (EN) 13.
Praticamente paralela ao longo de 60 quilómetros com a A28, esta estrada, segundo os utentes, representa no entanto mais do triplo do tempo de viagem.
A EP acrescenta que desde a introdução de portagens na A28 já concluiu intervenções de beneficiação e recuperação na passagem hidráulica da Ribeira das Preces e na ponte sobre o Rio Ave, na estrada nacional.
«Estão também em processo de decisão várias outras intervenções, como a requalificação de cerca de 20 quilómetros de via ou a reabilitação e reforço estrutural de obras de arte», acrescentou.
Além disso, estão em execução contratos de conservação corrente nos distritos de Viana do Castelo e do Porto «que representam um valor total para o triénio 2010-2013, superior a 18 milhões de euros».
«No âmbito destes contratos são executadas na EN13, sempre que necessárias, intervenções de conservação do pavimento, de bermas e valetas, passeios, das intersecções, entre outras», sublinha ainda a fonte.

Fonte: Lusa/SOL