Os técnicos do Instituto da Segurança Social (ISS) que têm de se deslocar a bairros mais problemáticos ou que estão em balcões de atendimento são cada vez mais vítimas de ameaças e agressões, denunciou um sindicalista.
«Os técnicos que fazem o controlo do rendimento social de inserção e de outras prestações sociais manifestam receio quando têm de deslocar-se a alguns bairros porque recebem algumas ameaças no exercício das suas funções», disse à agência Lusa o coordenador da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública.
Luís Pesca adiantou que o sindicato já fez chegar esta «preocupação» ao conselho directivo do ISS: «O que nos foi dito é que se tenta ao máximo que as pessoas não andem sozinhas, mas isso não inibe que haja estas manifestações de desagrado em relação aos técnicos que apenas aplicam aquilo que são deliberações políticas. Não são eles que são os culpados».
Quem faz o atendimento ao público nos balcões da Segurança Social também não está imune a estas ameaças.
«Ainda há pouco tempo houve uma cena de pugilato num centro de atendimento no Porto», denunciou o sindicalista, considerando que estas situações derivam das «fracas condições que os trabalhadores têm no desempenho das suas funções no que diz respeito às instalações».
Há trabalhadores que «estão a correr um risco terrível»: «Quando estamos numa situação de crise, em que se faz redução dos rendimentos das pessoas, em que há pessoas a passar fome, isto leva a situações que podem extravasar para uma situação crítica de violência sobre trabalhadores que não são os culpados da política do Governo».
«Eu acho que isto é uma bomba relógio. Esperamos que um dia não haja um caso em que depois todos nós nos vamos arrepender», alertou.
Uma funcionária da Segurança social que está num balcão de atendimento em Lisboa contou à Lusa que muito frequentemente os funcionários são «alvo de agressões verbais, mas também de tentativas de agressão física e ameaças».
«Provocam-nos com linguagem menos própria, tentam saltar para cima da mesa, levantar o telefone e atirar-nos com ele», disse a funcionária, que pediu anonimato, adiantando que há «situações complicadas» em que é necessário chamar a polícia.
As agressões são mais raras, mas «ameaças há muitas e o chamar nomes é a prata da casa». «Uma vez, uma senhora tratou-me de todas as maneiras, menos santa. Ela podia ter razão se eu a tivesse tratado mal, mas não foi o caso», lamentou, contando outros casos, como de uma colega que foi agredida na cara com uma placa, outra com um saco.
Em todas estas situações está espelhado o desespero das pessoas. «Naturalmente, quando as pessoas estão a descarregar a situação não nos querem atingir, mas atingem-nos quando nos chamam nomes para ofender quando dizemos coisas não vão ao encontro dos seus desejos e necessidades», sublinhou.
Segundo a funcionária, estas situações estão a acontecer cada vez com mais frequência, porque termina o subsídio de desemprego e as pessoas vêem-se sem emprego e sem dinheiro.
Contou o caso de um homem que disse que não saía do serviço de atendimento enquanto não lhe dessem trabalho ou dinheiro.
«É preciso ter muita capacidade de encaixe e muita psicologia para conseguir dar a volta a estas situações», frisou.
Para Luís Pesca deve haver «um reforço efectivo» do número de trabalhadores: «Houve um avolumar de pessoas que se dirigem aos serviços e o número de funcionários da Segurança Social está a diminuir devido às aposentações, que são às centenas por ano».
A Lusa questionou o ISS sobre se tem registo de casos de trabalhadores que tenham sido vítimas de violência por parte dos utentes, mas não obteve resposta em tempo útil.

Fonte: Lusa/SOL