É agente da PSP em Lisboa, frequentou o curso de Operações Especiais e tinha larga experiência enquanto força da autoridade. Porém, nem as obrigações da profissão afastaram Luís Martins - que hoje trabalha na messe - do mundo do crime: durante anos, principalmente em 2007 e 2008, angariou mulheres que colocava a trabalhar em bares e discotecas de alterne, onde se dedicavam ao striptease e à prostituição.



Vinham sobretudo do Brasil e da Europa de Leste, mas a rede também incluía mulheres portuguesas - e todas tinham que dar parte do lucro ao polícia.

Luís Martins, conhecido no meio como ‘o agente das mulheres’ ou o ‘Padrinho’ responde agora por um crime de lenocínio agravado. De acordo com a acusação, a que o CM teve acesso, o polícia actuava em conjunto com donos de boîtes da Margem Sul. Luís Martins fazia-se valer da sua condição de agente da autoridade para controlar o negócio e retirar grandes lucros por cada mulher que colocava na rede de prostituição. "Tenho aqui três miúdas para começar já", disse o arguido a Florentino Silva, dono do ‘Budha’, numa das conversas telefónicas interceptadas pelas autoridades.

Ana Ferreira, conhecida como ‘Vicky’, era o braço direito do ‘Padrinho’. Controlava algumas das mulheres que trabalhavam para Luís e ajudava-o com a gestão, colocação e transporte das mesmas.

As mulheres angariadas estavam distribuídas por oito estabelecimentos da Margem Sul, bem como em duas discotecas em Albufeira e em Lagos, sendo que os preços que cobravam aos clientes variavam conforme o local. Luís e Vicky asseguravam a rotatividade das prostitutas, para evitar "relações amorosas indesejáveis".

OITO ARGUIDOS EM TRIBUNAL

O processo, que já está em julgamento no Tribunal do Barreiro, tem sentença marcada para dia 21 de Novembro. São oito os arguidos que respondem pelos crimes de lenocínio simples e agravado, sendo que, para além de Luís Martins e Vicky, estão acusados apenas donos de estabelecimentos de alterne e prostituição. Florentino Silva, dono do ‘Budha’, falava ao telemóvel com o ‘Padrinho’ e combinavam as datas para a chegada de prostitutas. No bar ‘A Teya’, gerido por Salvador Valente, trabalhavam cerca de 15 mulheres, duas das quais ao serviço de Luís. No ‘Blue Swan’, de Luís Marujo, prostituíam-se pelo menos cinco mulheres a mando do polícia. São ainda arguidos José Souza, Fernando Simões, Manuel Ramos, proprietários de bares que incluíam quartos privados para a prática de sexo.

cm