O Movimento Revolução Branca, que visa alterar a Constituição e as leis eleitorais para «refundar Portugal», entrega hoje um manifesto ao Presidente da República, ao Governo e ao parlamento e partidos políticos, no qual pedem alterações sociopolíticas.
No manifesto, a entregar às 10h00 na Presidência da República, o movimento pede a Aníbal Cavaco Silva para dissolver o Governo e nomear um de iniciativa presidencial, «chefiado por uma personalidade de reconhecido mérito e apartidário», refere o documento.
«Não existem condições para que a presente legislatura chegue ao fim», disse à agência Lusa um dos fundadores do movimento, Pedro Pereira Pinto, acrescentando que «seria importante que o Presidente tentasse conseguir um Governo de consenso, de unidade nacional, de salvação nacional».
O manifesto, que será depositado na residência oficial do primeiro-ministro às 11h00, defende que a personalidade escolhida pelo Presidente para liderar o Governo nomeie também «personalidades de reconhecido mérito» para os ministérios da Economia, Finanças, Educação, Justiça, Segurança Social e Administração Interna.
O executivo, adianta o manifesto, «deverá ser nomeado para governar durante o período temporal respeitante à legislatura que estava prevista para o Governo dissolvido».
Para o meio-dia está marcada a entrega do documento à Assembleia da República e aos partidos políticos, defendendo o manifesto que seja «reaberto o processo constitucional de modo a retirar o exclusivo, dogmático e caduco, de os partidos políticos serem os únicos representantes do povo eleitor na Assembleia da República, permitindo-se que listas de cidadãos independentes, suportados pela sociedade civil, possam concorrer às eleições legislativas».
O Movimento Revolução Branca, criado por cinco cidadãos, mas ao qual já pediram adesão mais de 240 pessoas, segundo Pedro Pereira Pinto, apresentou em Setembro uma queixa formal para apurar responsabilidades pelo estado a que o país chegou.
Entregue no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, a queixa visava todos aqueles que exerceram cargos políticos com funções de decisão, poder soberano ou executivas entre o ano de 1998 e 17 de Maio de 2011.
A queixa por crime de «traição à pátria» foi arquivada, mas o movimento organizou uma caminhada, que partiu do Porto no dia 5 de Outubro em direcção a Lisboa, para chamar a atenção de que «a situação que Portugal está a atravessar não é normal».
O final da caminhada, que aconteceu no domingo à noite, «será a entrega deste manifesto aos órgãos de soberania», concluiu Pedro Pereira Pinto.

Fonte: Lusa/SOL