Fomos ao apartamento do arguido, em Matosinhos, para procurar tudo o que tivesse a ver com o crime de Cacia, mas também com os crimes de Lisboa." Foi desta forma que António Girão, inspector da PJ, relatou ontem, no Tribunal de Aveiro, as buscas feitas em casa de José Guedes, o alegado ‘estripador de Lisboa’.



Na segunda sessão de julgamento, Girão – que também participou na primeira investigação da morte de Filipa Ferreira, no ano 2000 – contou ainda que no início todas as pistas apontavam para Manuel ‘Rola’, que chegou a estar em prisão preventiva.

O principal suspeito do crime, que tinha uma relação com Filipa, acabou por ser solto, oito meses depois, apesar de ter sido encontrado em sua casa um fio de napa – que, segundo o investigador, poderá ter sido usado para estrangular a jovem, excluindo a hipótese de ter sido um cordel. "Mas ela morreu por fractura de três cervicais", sublinhou Girão. O fio de cabelo encontrado na mão da vítima não era compatível com o ADN de ‘Rola’, nem com o do companheiro, Avelino Castanheira.

No julgamento foi ainda ouvido o irmão de ‘Rola’, Paulo Ramos, que terá estado no local do crime e comunicou à família que estava alguém morto na casa em obras. Mas ontem garantiu não ter visto nada. Por ter mudado a versão dos factos, foi extraída uma certidão. A mãe de ambos, Maria Manuela Ramos, disse o mesmo. Já Isabel Ventura, prima de Filipa, garantiu que ‘Rola’ tinha ameaçado a jovem de morte, caso ela se recusasse a manter relações sexuais.

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