A conta da Vale e Azevedo & Associados, uma das empresas de João Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica, terá sido usada para pagar ‘luvas’ do clube a jogadores e respectivos agentes.



Esta foi uma das justificações apresentadas ontem em tribunal pela defesa do advogado – acusado de apropriação indevida de mais de quatro milhões de euros do Benfica referentes à transferência de quatro jogadores – para mostrar que não usou o dinheiro para proveito próprio, mas sim para questões do clube. Luísa Cruz, advogada do ex-presidente do Benfica, vai entregar ao tribunal mais de dois mil movimentos da referida conta, onde constam transferências para agentes e jogadores que solicitavam pagamentos em offshores.

Do lado da acusação, foi ouvido Rafael Rovisco, contabilista do Benfica, que confirmou terem sido usadas duas contas de empresas de Vale e Azevedo para fazer pagamentos e outras transferências porque o clube teve as contas penhoradas. A testemunha adiantou ainda que na contabilidade do Benfica nunca entraram as verbas das transferências dos futebolistas Gary Charles e Amaral e que da transferência de Scott Minto só receberam 575 mil libras, quando deviam ter recebido mais de um milhão. O mesmo se passou com o jogador Tahar el Khalej, tendo o Benfica recebido apenas 100 mil libras.

Na segunda-feira, a advogada de Vale e Azevedo fez um pedido de ‘habeas corpus’ ao Supremo Tribunal de Justiça para a libertação imediata do ex-presidente. Segundo Luísa Cruz, Vale já cumpriu mais de metade da pena porque em Londres tem estado em prisão domiciliária e não com termo de identidade e residência. Um erro que, segundo a advogada, levou o Tribunal Constitucional a negar-lhe a liberdade condicional.

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