Maria Archer viu dois manifestantes despirem-se ao seu lado e, "solidária", também resolveu tirar a roupa. A imagem da manchete de ontem do CM sobre o "Cerco a São Bento" de segunda- -feira ultrapassou fronteiras e tornou- -se um símbolo de uma nova geração desesperada em Portugal, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos.



Maria tem 30 anos e é artista plástica, actriz e argumentista. Pertence a uma família da alta burguesia lisboeta, mas "é de um meio onde muitos artistas estão no desemprego". Amigos de Maria Archer dizem ao CM que "ela nem costuma ir a manifestações" e que contou que "tudo aconteceu por acaso: o acto de se despir não foi nada premeditado". Mais: "A ideia não foi dela, começaram a despir-se e a Maria aderiu espontaneamente."

Maria foi actriz de ‘Para Que Este Mundo Não Acabe’, um documentário de João Botelho que faz parte de uma trilogia dedicada a Trás-os--Montes. Contactado pelo CM, o realizador prefere não falar sobre ela, num momento em que está a rodar uma nova película.

Porém, Botelho fala sobre Maria a propósito da série ‘Arte--Amizade’, de cujo argumento é co-autora. O projecto, aliás, começou quando o cineasta aceitou o convite da amiga para conhecer outros dois artistas. Maria Archer vai lançando os seus gritos de revolta na internet. Como quando escreve no ‘Ah Bruta Flor’: "O único propósito deste blogue sempre foi o de escrever contra o medo, de mandar o medo à p... que o pariu, ou seja, à religião."

A mensagem de Maria Archer para o ‘CM’

Maria Archer enviou ontem uma mensagem ao CM em que escreve que "aquilo que conta dizer é a ousadia do amor de quem o diz. Que ele é que é o verdadeiro operante da mudança que já está em curso no meio de nós". Mais: "Estamos aqui, não temos medo quando amamos. Peço por todas as nossas relações!" A mensagem termina com a assinatura: "Maria. Manifestante. Poeta. 30 anos."

Família não gostou de ver as imagens

O CM contactou vários familiares de Maria Archer, mas nenhum deles quis fazer comentários sobre a nudez da actriz e argumentista, que também escreve poesia. Apesar disso, foi clara a demonstração de mal-estar provocado pelas imagens publicadas. A manifestante é conhecida por ser pouco expansiva e reservada, o que ainda provocou maior surpresa entre os familiares.



Relvas convence Gaspar que há margem para cortes

"Há espaço para podermos ainda olhar para mais cortes na despesa", disse ontem aos jornalistas o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, à saída do encontro com os deputados do PSD e CDS, onde o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, foi explicar as linhas mestras do Orçamento para 2013.

A mensagem de Relvas surge depois de uma reunião em que Vítor Gaspar desafiou os deputados a apresentarem propostas de corte na despesa até aos mil milhões de euros. Isto porque, segundo fontes da coligação, o governante explicou que "em 20 horas de Conselho de Ministros cortou-se 300 mil euros." Assim, enquanto Relvas se disponibilizava para alterações ao documento, concertadas na coligação, Gaspar mostrava-se menos flexível.

O dirigente do CDS José Manuel Rodrigues assumiu que a direcção chegou a analisar a ruptura na coligação, mas vários responsáveis dos centristas desmentiram.

CDS nega crise e analisa OE

O líder parlamentar do CDS--PP, Nuno Magalhães, foi obrigado ontem a negar uma nova crise na coligação e afirmou que os democratas-cristãos estão a analisar o Orçamento, registando a disponibilidade do ministro das Finanças para ainda "trabalhar" o documento.

Não alimenta especulações

"Convido-os a colocarem essa questão ao CDS", respondeu ontem o vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva sobre a especulação em torno de uma ruptura na coligação. E considerou que o estudo do FMI comentado pelo Chefe do Estado não se aplica ao País.

Belém terá a última palavra

"O Presidente terá de se pronunciar sobre o OE quando o receber." Esta é a resposta de Belém ao CM sobre a posição de Cavaco Silva, que no sábado escreveu no Facebook que "não é correcto exigir a um país sujeito a um processo de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objectivo de défice".

cm