Não sou gay mas amava o Carlos Castro, tinha sentimentos por ele." As palavras são de Renato Seabra, a detectives da polícia nova-iorquina, um dia depois de ter morto e mutilado o cronista Carlos Castro, num quarto do Hotel Intercontinental, em Manhattan, EUA. O manequim confessou ao detective Tirelli o homicídio e a tortura e mutilação das partes genitais com um saca-rolhas, a 7 de Janeiro de 2011, alegando que "eram o demónio" – e que pretendia "melhorar o Mundo".



Na confissão, lida ontem no tribunal de Nova Iorque, em mais uma sessão de julgamento, lê-se ainda que o manequim, de 21 anos, foi depois para a rua dizer a transeuntes que "o Mundo não era um sítio bom" mas que ele estava a torná-lo "melhor".

Tirelli, detective da equipa de homicídios de Manhattan, disse que a equipa médica do hospital Bellevue só o deixou falar com Renato Seabra após a apresentação de um mandado de captura. E confirmou igualmente que algumas declarações do jovem foram excluídas da versão apresentada ontem em tribunal e que a confissão final nunca tinha sido assinada por Seabra – apesar de ter concordado com a fiabilidade das ideias. A sessão foi mesmo interrompida por as notas na posse do advogado de defesa, Touger, não coincidirem com as do detective.

O advogado tem mesmo na sua posse notas que deverão pertencer a outros detectives, em que Renato Seabra diz que pensou suicidar-se uma semana antes para "se salvar".

A defesa sustenta que Renato Seabra agiu "em pensamento delirante, num episódio maníaco e desordem bipolar com características psicóticas graves". A acusação, por seu lado, sustenta que foi "raiva, desilusão e frustração" a levar Renato Seabra a matar o colunista social, por este querer colocar um ponto final na relação.

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