O PCP anunciou hoje a apresentação de uma proposta para reposição do IVA a 13 por cento para a restauração, acusando o Governo de «sugar» o produto do trabalho a quem «quer trabalhar e sabe trabalhar».
«Hoje mesmo dará entrada uma proposta do PCP para redução da taxa de IVA para os 13 por cento. Cada um dos senhores deputados saberá o que fazer com o seu voto, mas se ele for coerente com as palmadinhas nas costas que dão aos proprietários dos restaurantes, podemos dar um contributo para minorar o problema», afirmou o deputado comunista João Ramos.
O PCP referiu-se à manifestação do sector da restauração na terça-feira frente ao Parlamento, considerando que «a luta dos empresários pelo seu sector está cada vez mais a dar forma à indignação».
Para os comunistas, esta é a luta de «quem quer trabalhar, de quem sabe trabalhar, e a quem o Estado suga o produto desse trabalho ou cria condições para que outros o suguem».
«Enquanto enfrentam estes problemas, os empresários não podem contar com um dos poucos sectores que tem sido protegido no país - a banca - no qual já foram injectados seis mil milhões de euros. E não precisavam de muito, pediam apenas uma linha de crédito adequada com condições para acordos de pagamentos em atraso às Finanças e à Segurança Social», sustentou João Ramos.
No mesmo sentido, a deputada socialista Hortense Martins referiu-se ao «desespero de milhares de famílias e empresários» de um sector exportador que, acusou, o Governo trata com «preconceito», «ignorando os seus efeitos económicos e sociais».
A deputada bloquista Catarina Martins defendeu que «esta medida não é mais do que abuso de poder», sublinhando que «já se perderam mais de 50 mil postos de trabalho, as insolvências dispararam, prevê-se que, a continuar assim, vão perder-se mais 100 mil postos de trabalho».
José Luís Ferreira, de ‘Os Verdes’, disse que «ninguém entende quem está a ganhar com esta teimosia do Governo», porque «parece que o aumento do IVA não correspondeu a aumento de receita pelo estado» e, «se é assim, não há nada que justifique que não seja reposto nos 13 por cento».

Fonte: Lusa/Fim.