Pedro Marques, 22 anos, enfermeiro, parte hoje para Inglaterra, numa "viagem só de ida" para ir trabalhar. Na hora da despedida escreveu uma carta ao Presidente da República, Cavaco Silva, a explicar porque se sente "expulso" do País e a pedir para não criar "um imposto" sobre as lágrimas e a saudade. Na bagagem leva uma bandeira de Portugal e ao pescoço ostenta um cachecol com a cores nacionais. Com ele partem mais 24 enfermeiros de várias zonas do País, 11 dos quais do Porto.



A emigração é a única solução para estes profissionais que não conseguem ser contratados em Portugal ou não conseguem viver com 3,96 euros à hora pagos pelo Estado. O presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Correia Azevedo, afirma ao Correio da Manhã que não tem dúvidas de que a emigração destes profissionais não vai parar. "No estrangeiro querem portugueses porque sabem que somos muito bons profissionais, termos uma formação muito mais vasta do que a deles e podemos desempenhar diversas competências. No estrangeiro, a formação é muito mais limitada", sublinha o responsável. A emigração dos enfermeiros é uma situação que, segundo Correia Azevedo, entra em contradição com a falta destes profissionais nas unidades do Serviço Nacional de Saúde.

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