Quando Filipa foi encontrada morta em Cacia, no ano 2000, foram recolhidos do local vários cabelos, tendo sido comparados com o ADN de Manuel ‘Rola’ – principal suspeito do crime e com quem a vítima mantinha uma relação –, do irmão daquele, Paulo Ramos, e ainda de Avelino Castanheira, companheiro da jovem. Em 2011, quando o alegado ‘estripador de Lisboa’ foi detido como suspeito do crime, abriu-se a hipótese de se fazerem esses exames, mas a tecnologia actual é mais exigente – e os vestígios encontrados não são suficientes para o teste.



A explicação foi dada ontem, no Tribunal de Aveiro, por António Medina, inspector da PJ. Durante o julgamento de José Guedes, o investigador afirmou que a tecnologia utilizada agora exige mais do que aquela usada há 12 anos. Assim, a comparação entre os vestígios recolhidos do local do crime poderão nunca ser comparados com o ADN do alegado ‘estripador’. Recorde-se que ‘Rola’ foi solto, após vários meses em preventiva, porque o seu perfil biológico não era compatível com os cabelos encontrados.

Durante a sessão de ontem, Medina chegou mesmo a afirmar que o fio de napa encontrado em casa de ‘Rola’ podia ter sido utilizado para estrangular Filipa, e disse ainda que a acusação de Guedes se baseou no perfil psicológico daquele. Ontem foi ainda ouvido o dono da casa onde Filipa foi encontrada sem vida. José Maria Marta contou que viu o corpo mas pensou tratar-se de "algum drogado", e não alertou a GNR.

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