A candidatura de Rui Rangel à presidência do Benfica está a gerar um grande mal-estar na magistratura, sobretudo no Tribunal da Relação de Lisboa, onde exerce funções, sendo mesmo acusado de "insensatez".



Também o Conselho Superior da Magistratura (CSM) já comunicou ao juiz a sua posição, entendendo que este deveria suspender o exercício das suas funções durante a campanha eleitoral do clube. Contactado pelo CM, o presidente da Relação, Vaz das Neves, disse desconhecer qualquer posição do órgão de gestão e disciplina dos juízes sobre este assunto e recusou fazer mais comentários.

No entanto, segundo vários juízes ouvidos pelo CM, os magistrados sentem-se incomodados, entendem que Rangel está a "pôr em causa a imagem da Relação", principalmente por ainda não ter formalizado o pedido de escusa do processo dos No Name Boys – 29 elementos foram condenados, em 2010, por tráfico de estupefacientes, posse de arma ilegal, tráfico de armas, ofensa qualificada à integridade física e incêndio, entre outros crimes. Rangel, que esteve ontem na RTP 1, já anunciou, num despacho de 13 de Outubro, a intenção de deixar o processo, mas o pedido ainda não deu entrada no Supremo Tribunal de Justiça. Caso deixe o processo, o relator do recurso passará a ser João Carrola.

O CSM tem criticado a presença de juízes em órgãos de Justiça desportiva. Já a Associação Sindical de Juízes foi mais longe e aprovou um documento, em 2008, em que diz que "devem os juízes abster-se de exercer qualquer tipo de actividade, ainda que totalmente gratuita, em associações desportivas ligadas a qualquer forma de modalidade de desporto profissional, nomeadamente o futebol". Contactado pelo CM, Rui Rangel pediu dez minutos, mas depois desligou o telemóvel.

cm