O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal afirmou hoje que o país registou «progressos notáveis nos últimos 18 meses», mas considerou que «o ajustamento orçamental é imperativo e tem de prosseguir».
Numa declaração feita em Washington, a que a Lusa teve acesso, Abebe Aemro Selassie explicou que «Portugal obteve progressos notáveis nos últimos 18 meses em termos de reformas estruturais e consolidação das finanças públicas, com grandes sacrifícios e grande determinação da parte das autoridades portuguesas e do povo português».
No entanto, acrescentou, «a dívida do país ainda é elevada e precisa de ser contida para assegurar a plena recuperação», pelo que Portugal «precisa de restaurar a sua capacidade de se auto-financiar a taxas razoáveis», o que significa que o ajustamento orçamental é imperativo, e tem de prosseguir».
Para Selassie, o aconselhamento prestado pelo FMI em termos de ajustamento orçamental «continua a ser pragmático e coerente», uma vez que ele «é necessário em países com alto nível de endividamento e acesso limitado ao financiamento», como é o caso de Portugal.
Reconhecendo que economias nestas condições «precisam de passar por um processo de ajustamento orçamental», o chefe da missão do FMI em Portugal alertou que «é preciso ter em conta as circunstâncias de cada país», recordando as palavras da directora-geral do Fundo.
Recentemente Christine Lagarde disse que «um programa de ajustamento orçamental por um determinado período não pode ser a solução a aplicar a todas as circunstâncias», considerando que este ajustamento «depende do ritmo de crescimento, (...) das pressões do mercado e também do peso da dívida de cada um».

Fonte: Lusa/SOL